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O impacto das cotas na USP O Naeg (Núcelo de Apoio aos Estudos de Graduação) da USP fez uma pesquisa interessante, avaliando qual seria o impacto de uma possível adoção do sistema de cotas para alunos de escolas públicas no vestibular da USP. Supondo que 50% das vagas fossem reservadas para quem viesse de instituições públicas, o Naeg calculou em quanto as notas de corte diminuiriam em cada carreira. A primeira constatação é também a que já era esperada: a nota de corte cairia em todas as carreiras da USP. O que mais chama a atenção no estudo, no entanto, é que a nota em alguns cursos a nota cairia para mais da metade. Em Medicina e em Direito, por exemplo, essas cairiam de cerca de 700 e 600, respectivamente, para 300. (uma redução de quase 60%) Em alguns casos, alunos entrariam em carreiras como Engenharia mesmo tendo tirado nota zero na prova específica de Matemática. O estudo não aponta nenhuma conclusão, mas é óbvio que seus dados são um prato cheio para quem é contra o sistema de cotas em universidades públicas. Em duas colunas anteriores, defendi as cotas nesse espaço. Dessa vez, vou apenas lançar alguns argumentos para discussão. Ok. O nível do aluno que entraria na universidade pública cairia bastante com o sistema de cotas. Mas será que esse não é um preço que a sociedade deve pagar para corrigir uma injustiça que começa no ensino básico? Será que a universidade pública não seria capaz de compensar o fraco rendimento dos alunos que vêm de escolas públicas e fazer um esforço extra para deixá-los no mesmo nível dos demais? Eu não tenho dúvida que nossas universidades são capazes disso, porém, respeito o argumento de que talvez não seja esse o papel da academia. As perguntas acima são só provocações. De positivo, fica o fato de a USP ter se proposto a discutir um assunto do qual a academia foge como diabo da cruz. Se o estudo apresenta argumentos contra ou a favor, na minha opinião, isso é menos importante do que o fato de ele gerar uma discussão necessária sobre como reduzir o abismo educacional brasileiro.
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