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Eu sou mais besta que a Jeane. Eu sou mais besta que a Jeane. Eu sou mais besta que a Jeane. Imagine ter 10 anos de idade e ser obrigado pela sua professora a escrever essa frase 100 vezes no seu caderno pessoal. Não precisa ter muito bom senso para perceber o quanto isso afeta a autoestima da criança e pode criar traumas. Pois foi esse o castigo que uma professora de Teresina aplicou a uma de suas alunas. A vítima da punição foi uma estudante de 10 anos. A notícia foi publicada há duas semanas na Folha de S. Paulo, em matéria da repórter Alessandra Kormann. Não sei quanto a você que está lendo esta coluna agora, mas eu, ao me lembrar dos primeiros anos de escola, tenho uma série de recordações de gestos de professores que me trazem lembranças tristes. Vão desde a preferência da professora por um determinado aluno a frases estúpidas ou grosseiras demais para serem ouvidas por qualquer criança com menos de 10 anos. O caso dessa professora em Teresina pode ser um exemplo extremo da falta de bom senso, mas, ainda hoje, castigos e atitudes de professores costumam causar traumas. A entrada na escola é o primeiro contato da criança com o meio social. É nesta fase que o medo de não ser aceito (que acho que todos os adultos ainda hoje carregam um pouco) é multiplicado por dez na visão de uma criança que entra num ambiente estranho. Nada pior do que um professor preparado para trabalhar com seus alunos como se eles fossem números para contribuir para o medo, insegurança e pela falta de interesse de uma criança pelo estudo. Sei que não deve ser fácil para um professor lidar com tantas diferenças raciais, sociais e de comportamento em sala de aula. No entanto, em alguns casos, como nesse de Teresina, a falta de preparo se junta à falta de bom senso e o resultado é desastroso para a parte mais inocente dessa história: a criança. Ao ler a reportagem da Folha, lembrei-me de uma entrevista que fiz em 1999 com a psicóloga e professora da faculdade de Educação da UniRio (Universidade do Rio de Janeiro) Sandra Albernaz. Ela fez uma pesquisa com seus alunos e perguntou qual a melhor e pior lembrança que eles tinham da escola. O resultado foi que a experiência de aprendizado em sala de aula foi a pior experiência para a maioria dos entrevistados. Na época em que a entrevistei, para o jornal O DIA, Sandra comentou: "A escola tradicional é uma fábrica de neuroses. Até para ir ao banheiro o aluno tem que pedir permissão do mestre. A nossa cultura é repressora, mas é necessário que a escola esteja preparada para apresentar uma proposta ao modelo tradicional." Eu concordo. |
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