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O juiz Siro Darlan, do juizado de menores do Rio de Janeiro, costuma tomar muitas decisões que provocam mais polêmica na mídia do que efeitos práticos. A proibição de modelos menores de idade que não estejam na escola de desfilar é uma delas. A medida pode até parecer um factóide, mas, a meu ver, tem muitos méritos. O primeiro deles é chamar a atenção da sociedade para uma questão delicada: o trabalho infantil. Admito que, como comentou comigo o presidente da Abrapia (Associação Brasileira de Proteção à Infância), Lauro Monteiro Filho, é difícil acreditar que essas meninas sejam exploradas, ao menos no sentido em que estamos acostumados a falar de exploração do trabalho infantil no Brasil. Se um jornalista fizer a clássica (e obrigatória) pergunta quando faz matérias sobre trabalho infantil (você não preferia estar brincando ou na escola?), certamente a resposta de uma dessas modelos em nada se assemelharia a declaração de uma criança que trabalha na lavoura para ajudar os pais ou se prostitui para sobreviver. Ressalvado o fato de que há questões muito mais importantes e dramáticas para serem discutidas pela sociedade sobre infância, ainda assim, acho que a decisão de Darlan é acertada. Tendo a concordar com a educadora Regina de Assis (presidente da MultiRio e ex-secretária de educação do município do Rio). Ela não concorda com o argumento de alguns pais de que a carreira só pode ser explorada agora e o estudo pode esperar. "Há um tempo certo para o aprendizado também. Essas meninas que deixam de estudar na idade certa em escolas regulares vão se sentir desmotivadas para voltar a estudar em supletivos, um tipo de ensino freqüentado principalmente por pessoas que não tiveram a oportunidade de estudar. A educação delas ficará 'fraturada' e elas vão pagar a esse preço pelo resto da vida", diz Regina. Além disso, é possível discutir outras questões. Os pais que colocam para a filha de 16 ou 17 anos que, nessa fase da vida, a carreira profissional é mais importante do que a educação estão passando para a adolescente que valores materiais são mais importantes do que a escola. É verdade que não há ilegalidade nenhuma nisso e que esse é um assunto que cabe a cada família, mas quando há a possibilidade de essas jovens serem prejudicadas por causa de uma decisão que, certamente, não estão preparadas ainda para tomar ainda, acho que a interferência do juizado de menores é válida. PS - Algumas modelos
criticaram a imprensa por dar mais importância à polêmica
com o juizado do que ao desfile de moda. Balela. Se os jornais dessem
tanta importância à educação quanto dão
atualmente à moda...
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