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A diminuição da desigualdade no Brasil é uma tarefa árdua, mas possível. É a essa conclusão que se chega ao comparar a evolução dos indicadores sociais das mulheres e dos negros no Brasil, com relação aos homens brancos. Uma reportagem da revista Veja desta semana (Para assinantes Uol) traz um interessante estudo de analistas do mercado de trabalho a respeito da desigualdade entre homens e mulheres. Uma pesquisa do grupo Catho, de São Paulo, mostra que as mulheres ganham, em média, 20% a menos que aqueles homens que trabalham no mesmo cargo. A constatação não é novidade, mas a análise feita à Veja pelo presidente do grupo, Thomas Case, chama a atenção. Diz ele na reportagem: "Como estão há menos tempo no mercado de trabalho, é natural que as mulheres tenham um currículo menos qualificado e também possuam menos experiência que seus colegas homens. A diferença, que tende a zero com o passar do tempo, nada tem a ver com discriminação sexual, mas com qualificação." Não vou entrar no mérito da discussão se a análise de que não há mais discriminação contra a mulher no mercado de trabalho está 100% correta. O que me chamou a atenção foi a constatação de que a diferença salarial entre homens e mulheres tende a zero. Essa foi a mesma conclusão a que tinha chegado o pesquisador do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) Serguei Soares em estudo publicado em 2000. Comparando a diferença salarial de homens brancos para mulheres brancas, homens negros e mulheres negros, Soares mostrou que a principal desigualdade se dá entre raça, e não gênero. Segundo Soares, apesar de ainda haver diferença salarial a favor do homem em relação a mulher, a tendência natural é de que, no máximo em 30 anos, essa diferença chegue a zero. Se o Brasil é capaz de diminuir a desigualdade entre homens e mulheres, como vem fazendo (lentamente, é verdade), pode também fazer o mesmo com os negros. O mesmo estudo de Soares mostra que, diferentemente do que ocorre entre homens e mulheres, o abismo que separa negros e brancos chegou até a aumentar nos últimos anos. Como disse certa vez um árduo defensor da igualdade racial, a diferença entre mulheres e negros é que a mulher convive diariamente com os homens de cor branca, que estão no topo de todo indicador social e econômico no Brasil. A igualdade salarial entre gêneros também interessa aos homens de cor branca, pois contribui para aumentar a renda de famílias chefiadas por eles, já que são casados com mulheres brancas que estão no mercado de trabalho. O mesmo não acontece com os negros. Por mais que o país seja formado na sua maioria por negros e mulatos, a cor da elite é uma só: branca. Nas escolas de elite, na universidade ou no trabalho, o convívio entre negros e brancos acontece quase sempre por relações trabalhistas, quase sempre com o negro em posição inferior ao branco. É por isso
que se fala tanto em democratização do ensino no Brasil.
No momento em que negros e brancos ricos estudarem na mesma escola, além
de receberem a mesma educação, vão aprender a conviver
e respeitar as diferenças desde cedo. |
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