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Atualmente, professores de quatro Estados brasileiros estão exercendo um direito constitucional na luta por melhores salários: o de greve. Em alguns casos, como no Rio de Janeiro, a greve já ultrapassa 70 dias de paralisação. Essas paralisações mostram que governos, professores e a sociedade ainda não acharam uma maneira de fazer pressões sem prejudicar a maior vítima de todo esse processo: o aluno. Não vou entrar em discussão a respeito da justeza de cada movimento. No entanto, é impressionante como a sociedade (e aí é preciso incluir nós, da imprensa) está adotando dois pesos e duas medidas com as paralisações que acontecem neste ano, nas redes estaduais, e com a que aconteceu no ano passado, na greve das universidades federais. No caso da greve dos professores no Rio, a paralisação pode causar sérios prejuízos aos estudantes do último ano do ensino médio, que se preparam para o vestibular das universidades estaduais do Rio (o exame começa já no meio do ano). Será que seria tão prejudicial à greve abrir uma exceção aos estudantes do último ano do ensino médio, para que esses não sejam prejudicados? No ano passado, a Justiça da Infância e Juventude obrigou os professores das universidades federais que davam aula para escolas federais de ensino fundamental e médio a voltarem as aulas para não prejudicarem os alunos pelo mesmo motivo: eles competiriam em desigualdade de condições com os demais estudantes nos vestibulares. Agora, no entanto, a pressão para que se adiem os vestibulares (alguns acontecem no meio do ano) é bem menor. É bom lembrar que o perfil dos estudantes da rede estadual é diferente do perfil encontrado nos colégios federais do Rio. Os estudantes da rede pública vêm das camadas mais pobres da população (provavelmente, a maioria está na faixa dos 40% ou 60% mais pobres). Por fazerem parte de uma classe social mais desfavorecida, a pressão que fazem é menor. Isso acontece, talvez, porque pais e alunos da rede estadual conhecem menos os seus direitos do que os pais de alunos de escolas federais. Mas pode estar por trás também, no entanto, um preconceito da sociedade. Por serem alunos da escola pública estadual (pobres em sua maioria), esses já estariam acostumados com as greves e com a injusta concorrência com os alunos de escolas particulares nos vestibulares.
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