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Arte é bom, mas o que vale é educação O menino Severino da Silva, 10, poderia estar roubando. Mas ele é atendido por uma ONG na favela onde mora, onde recebe alimentação, tem aulas de arte, de futebol, de capoeira, música... Tudo é lindo, maravilhoso, mas falta o essencial: uma educação de qualidade. Severino da Silva é fruto da minha imaginação, mas as histórias como essa é o que não faltam nas áreas mais pobres das grandes cidades. A superintendente da Fundação Estudar em São Paulo, Ilona Becskeházy, me chamou a atenção para este fato: as entidades sociais estão investindo muito em projetos artísticos, culturais, esportivos, mas deixam, muitas vezes, de atacar a raiz do problema: a educação de qualidade. Ela pergunta: "Agora que inúmeros projetos, campanhas e entidades florescem, qual é o produto final que vai sair desta cadeia produtiva que consome milhões em projetos? O que nós sonhamos para as crianças e jovens assistidos em projetos sociais é o mesmo que sonhamos para nossos filhos? Será que ficaríamos satisfeitos se alguém oferecesse aos nossos filhos uma escola gratuita de má qualidade, mas, em compensação, eles tivessem aulas de ballet, teatro, cerâmica, jornalzinho, etc.? Que pai ficaria feliz em ter um filho que não sabe ler e interpretar um texto básico, mas é um excelente tocador de bumbo?" Longe de mim querer desmerecer o trabalho das entidades que apostam no esporte ou na música como forma de valorizar a auto-estima da criança. O problema é que, quando a educação fica em segundo plano, corre-se o risco de não estar atacando nosso principal problema: a desigualdade social. A lógica desse preconceito é achar que a criança da favela merece alimentação, cultura e música. Ela, em outras palavras, tem futuro como jogadora de futebol, pagodeira, artista, mas educação, que é bom, é problema da escola pública. Se o Brasil, pelo menos no ensino fundamental, já resolveu o problema do acesso à escola, chegou a hora de atacar o problema da qualidade, sem a qual, mesmo com 100% de nossas crianças na sala de aula, as mais pobres serão sempre desiguais em relação às que podem pagar por uma boa escola. Esse é um problema do MEC, dos prefeitos, governadores, mas também da sociedade civil organizada. Se é possível montar uma banda com alunos carentes, qual a dificuldade de se organizar um grupo de reforço escolar? E, se for possível conciliar as duas atividades, melhor ainda. Com todo respeito aos projetos culturais ou esportivos, o melhor investimento que a sociedade civil organizada pode fazer é na educação de qualidade. Cabe lembrar de alguns projetos que atacam a raiz desse problema. É o caso de iniciativas da Fundação Estudar, do Instituto Ayrton Senna, da Fundação Bradesco e da própria Cidade Escola-Aprendiz, razão da existência desse site.
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