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O ponto de vista do outro Outubro e novembro
são meses em que, tradicionalmente, os pais estão preocupados
em renovar a matrícula do filho ou escolher uma nova escola. Há
vários aspectos que precisam ser levados em conta. Em entrevista
à Folha de S. Paulo, a educadora Regina de Assis ressaltou um deles,
que, acredito, deve ser cada vez mais valorizado pelos pais: como a escola
lida com as diferenças. Avaliar esse aspecto
é um ponto de partida que pode levar o pai a chegar a outras conclusões
sobre aquela escola. Ele pode avaliar, por exemplo, a questão da
valorização do papel do negro na formação
econômica e cultura do Brasil. Como a história oficial brasileira só recentemente passou a estudar nossa formação do ponto de vista do negro e do índio, de certa forma, cabe à escola tentar, com seus próprios meios, preencher essa lacuna e trazer essa discussão para a sala de aula. A escola que é capaz de fazer isso demonstra que seus professores não se prendem ao livro didático ou a currículos burocráticos. A escola que promove essa discussão não está agindo apenas com "bom mocismo". Matéria de capa da revista Exame e outra no jornal O Globo deste Domingo (22/10) mostram que as empresas estão dando cada vez mais importância à diversidade no ambiente de trabalho. Ou seja, a diversidade de opiniões e pontos de vista de negros, brancos, homens, mulheres, pessoas de diferentes regiões e com diferentes histórias de vida faz com que a empresa enriqueça. Se o aluno aprende na escola a entender o ponto de vista do outro e, principalmente, saber conviver com quem tem uma história de vida bem diferente da sua, esse conhecimento será tão ou mais útil do que a maioria dos que ele aprende em sala de aula. A escola pública, nesse sentido, tem um material humano mais rico a ser explorado do que a maioria das escolas particulares, onde, na maioria das vezes, são frequentadas por alunos de uma mesma classe social, bairro e cor. Eu, por exemplo, que sempre estudei em escolas particulares católicas e me formei em uma universidade pública, conto nos dedos de uma mão o número de colegas negros que tive desde a creche até a universidade: foram quatro. Que o Brasil é um país injusto, disso todos sabem. O que talvez ainda não saibamos, e que nem gostamos de parar muito para pensar, é de que forma diminuir essa injustiça. A resposta para essa questão passa, certamente, pela escola.
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