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Há um ditado que diz que os números não mentem jamais. Pode até ser verdade, mas não quer dizer que eles não dêem margem às mais diversas análises. Um exemplo disso foi o dado que mostra que, de 1998 a 2000, cresceu em 18% o número de matrículas em universidades federais. Os professores das federais estão em greve que já chega a quase 100 dias. Em 1998, fizeram uma que chegou a 107 dias. Ou seja, apesar das greves e das crises, as federais conseguiram aumentar significativamente o número de estudantes. Isso aconteceu sem aumento do número de professores, o que fez com que a relação de professores por alunos, que em 1999 era de 9,5 alunos matriculados por docente na ativa, chegasse a 11 em 2000. Com base no mesmo dado, é possível defender dois pontos de vista. O primeiro, mais favorável ao governo Federal, é o de que isso mostra que ainda há espaço para crescimento sem que seja preciso contratar tantos professores, como querem os grevistas e os reitores. Por essa lógica, com o mesmo número de professores, as universidades poderiam atender ainda mais alunos. Na USP, por exemplo, a relação de alunos por professor é de 13 por 1. Se a USP, que é uma universidade pública de excelência no Brasil pode, por que as federais também não conseguem? A outra leitura do número é a que mostra que as universidades federais estão fazendo sua parte. Mesmo sem aumento significativo de verbas, e, em alguns casos, até mesmo com diminuição do repasse, as instituições estão melhorando sua eficiência e cumprindo seu papel. Mesmo sem recursos, as federais estão também mantendo a qualidade de seus cursos, que, pelo provão, são os que mais tiram A, em relação às universidades particulares e estaduais. Se as federais estão crescendo sem verbas, com mais repasses e professores, poderiam crescer muito mais e voltar a acompanhar o crescimento das particulares. Os dois argumentos
tem sua lógica e seus defensores. Mentir, os números não
mentem, mas os mesmos podem servir para defender pontos de vista antagônicos. |
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