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O início de qualquer governo é cheio de boas intenções e boas idéias. Está sendo assim com o ministro da Educação, Cristovam Buarque, com apenas três meses completos na frente do ministério. A postura da sociedade e da mídia deve mudar a medida que as idéias forem sendo colocadas em prática, quando, aí sim, aparecerão os problemas e as críticas virão de forma mais contundente. Por enquanto, uma das boas idéias sugeridas pelo ministro foi o aumento da duração do ensino médio. Mesmo em escolas tradicionais, é comum saber de casos de professores que "correm com a matéria" para poder dar todo o conteúdo que o ensino médio exige. Apesar das reformas recentes, no dia-a-dia de nossas salas de aula ainda predomina a aplicação de um currículo rígido, quase enciclopédico, que deixa o professor atolado com a quantidade de assuntos a serem ensinados ao mesmo tempo em que as aulas tornam-se enfadonhas para os estudantes. Aumentar em um ano o ensino médio _ sem que se caía na tentação de aumentar também o currículo _ pode dar mais tempo para os professores trabalharem o currículo de forma adequada em sala de aula. Dará mais tempo também para os alunos se prepararem para o vestibular, já que alguns colégios poderão reservar um ano de seu ensino médio para revisar o conteúdo já trabalhado em três anos, sem o estresse do vestibular. Ajudará também
muitos jovens a ter mais tempo na hora O ministro Cristovam Buarque cita também a vantagem de se adiar em um ano a entrada de jovens no mercado de trabalho. Isso diminuiria um pouco a pressão por vagas no mercado e deixaria os alunos mais preparados. Na teoria, a ampliação do ensino médio é pouco criticada. Seria uma maneira imediata de melhorar a qualidade da educação. O risco que corremos é de alunos e professores se acomodarem e, em vez de trabalhar arduamente mais um ano para melhorar a qualidade da educação, passar a fazer em quatro anos o mesmo que faziam em três. Tudo dependerá da forma como essa boa idéia será implementada. Vai ser nesse momento que as críticas ao trabalho do ministério (bem-vindas, diga-se de passagem) vão aumentar.
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