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No Brasil, o atraso educacional é tão grande que o esforço em melhorar a escolaridade da população traz poucos avanços em termos de renda. Estudar mais é a melhor forma de garantir emprego, mas não significa que a renda do trabalhador dará um salto imediato. Uma pesquisa feita pelo IETS (Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade) mostra que, no Rio de Janeiro, a população que estudou ao menos oito anos teve sua renda real média reduzida na década de 90, ao contrário da população com menos de oito anos de estudo, que teve pequeno aumento na renda. Numa primeira leitura, esse dado pode levar a conclusões equivocadas, como dizer que de nada adianta o trabalhador se qualificar pois sua renda não aumentará. O equivoco dessa argumentação é percebido quando se analisa outro dado da pesquisa, que mostra que a renda média de um trabalhador com 12 anos ou mais de estudo é cerca de cinco vezes maior do que a renda de um analfabeto. O que está acontecendo, então? Uma das hipóteses que pode se levantar é que o grau de exigência de escolaridade no mercado de trabalho está aumentando, a ponto de já se falar que, a curto prazo, a maioria das empresas exigirá segundo grau completo de seus trabalhadores. A dificuldade de se encontrar um emprego quando se é pouco escolarizado é tão grande que a pesquisa do Iets captou um fenômeno que acontece em todo o Brasil: a população pouco escolarizada que está fora do mercado de trabalho está desistindo de procurar emprego. Em 1991, quatro em cada dez brasileiros analfabetos estavam empregados ou procurando emprego. Em 2000, apenas três brasileiros desse grupo estavam na luta por um emprego ou garantidos no mercado de trabalho. Para o economista André Urani, um dos organizadores da pesquisa, há um "desalento" da população pouco escolarizada, que acaba desistindo de procurar emprego. Essas pessoas podem estar estudando (muitas delas são jovens que estão retardando sua entrada no mercado de trabalho) esperando melhorar sua qualificação para voltar a batalhar por uma vaga. Sem a educação, percebem, na prática, que a luta é quase impossível. Talvez por isso a procura por cursos supletivos esteja crescendo tanto no Brasil, a ponto de escolas particulares (algumas delas sem nenhuma qualidade nem registro nos órgãos de educação) oferecerem cursos e diplomas de primeiro e segundo grau em pouco tempo.
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