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Um dos principais legados positivos do governo FHC na área da educação é a política de avaliações. Por causa delas, hoje sabemos o quanto nossa educação é ruim, se comparada a outras nações desenvolvidas. Sabemos também que nossos universitários tem nota média muito baixa no provão, o que provoca discussões sobre a (péssima) qualidade do ensino superior. Pelo Saeb, acompanhamos
a cada dois anos a qualidade do ensino básico, e, por causa dele,
sabemos que a nota média dos alunos em todo o Brasil caiu de um
exame para o outro, o que fez com que os governos recebem (merecidamente)
uma São todas notícias negativas para o governo, mas que revelam um mérito reconhecido até pelos opositores: nunca se avaliou tanto a educação no Brasil. Com o fim do governo, começam a surgir algumas preocupações da comunidade acadêmica com relação a política de avaliações. Nem Lula nem Serra tiveram condições de entrar em detalhes nessa campanha para dizer o que pensam das avaliações. Os dois programas são favoráveis, mas será que o Inep, órgão de avaliação do MEC, será cada vez mais transparente? No caso da vitória de Lula (hipótese mais provável quando escrevo esta coluna, em 23/10, a julgar pelas pesquisas mais recentes), o que será feito especificamente do provão? O PT já se
manifestou contrário ao exame, na forma como ele foi estabelecido.
Com todos os seus defeitos, no entanto, o exame deu um parâmetro
para a sociedade se basear na hora de escolher a instituição
em que pretende estudar. No caso de uma vitória de Serra, que tipo de modificações serão feitas no exame para que ele seja mais preciso? Educadores de várias tendências apontam sérios problemas no exame, como a falta de responsabilidade do aluno na hora de fazer o teste, que precisariam ser corrigidos. No caso das avaliações internacionais, como o Pisa, será que o futuro presidente (seja ele Serra ou Lula), continuará com as comparações com outros países, mesmo sabendo que os resultados tendem a ser sempre negativos quando comparamos nosso sistema educacional com o de nações mais desenvolvidas? O pesquisador Simon Schwartzman lembra que a preocupação com a qualidade das avaliações não é apenas brasileira. Nos Estados Unidos, está havendo um debate sobre o futuro do instituto de avaliação da educação daquele país e sobre a forma como devem ser analisados os resultados. Essa é uma
discussão que terá que acontecer também no Brasil.
Além de garantir que o próximo governo continue priorizando
a avaliação (mesmo que isso dê argumentos aos seus
críticos), é preciso aperfeiçoar, como lembra Schwartzman,
a competência de técnicos, pesquisadores e secretarias de
educação na hora de analisar os dados e utilizá-los,
na prática, para a melhoria do sistema. |
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