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Vocês já perceberam como o Brasil é o país das prioridades? As demandas reprimidas são tantas que, aliadas às metas que desejamos alcançar, parece que tudo é "fundamental para o desenvolvimento do país". A educação, pelo menos nos discursos, também entra no imenso bojo de prioridades brasileiras. Um estudo recém divulgado pelo Ipea e pelo Inep mostra, no caso da educação, quanto custa essa prioridade. O estudo leva em conta quanto o país (União, municípios e Estado) tem que gastar para cumprir as metas estipuladas pelo Congresso Nacional no Plano Nacional de Educação, aprovado em 2001. O PNE é, sem dúvida, ambicioso. E é assim que tem que ser, já que somos escolados em sempre ficar aquém das metas traçadas. No teoria, no entanto, se ao menos chegarmos perto das metas traçadas no PNE, estaremos bem perto de dar um salto de democratização e qualidade na educação brasileira. Isso, obviamente, tem um custo, e o país precisa discutir, entre as trocentas prioridades que sempre são citadas pelos presidentes, ministros, governadores e prefeitos, quais delas são mais prioritárias. O estudo mostra que o país gasta hoje R$ 58 bilhões com educação, ou 4,3% do PIB. Para cumprirmos todas as metas do PNE, esses valores terão que aumentar 160%, chegando a R$ 150 bilhões, ou 8% do PIB. Se o país assistir ao "espetáculo do crescimento" prometido pelo presidente Lula, talvez fique menos difícil alcançar esses objetivos. Nesse ponto, no entanto, talvez uma dose de ceticismo não faça mal a ninguém. E se esse espetáculo não acontecer, ou acontecer de forma muito mais tímida do que a prometida? Nesse caso, teríamos que escolher de onde tirar dinheiro para colocar na educação. Em outras palavras, teremos que definir quais prioridades são mais prioritárias. E é aí que corremos o risco de o lobby a favor da educação ser menos forte do que outros lobbys (também legítimos) a favor de outras prioridades. |
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