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Quando foi aprovada, no final de 1996, a nova Lei de Diretrizes e Bases trazia uma novidade que agradou aos vestibulandos: o fim do vestibular. Quem tiver acesso ao banco de dados dos principiais jornais do país e um pouquinho de paciência notará que, logo após a aprovação da lei, a mudança nos exames de ingresso nas universidades era um dos aspectos mais comentados e destacados pelos jornais e especialistas. Passados seis anos, parece que muito pouco mudou. Apesar do esforço do MEC em apresentar o Enem (Exame Nacional de Ensino Médio) como alternativa ao vestibular, ainda são poucas as instituições públicas que substituíram por completo seus tradicionais exames pelo Enem. Ainda não é possível ver qualquer indício de que as melhores universidades federais e estaduais pretendam substituir seus concorridos exames. Apesar de aperfeiçoá-los, essas instituições continuam realizando seus tradicionais concursos. Os cursinhos, que muitas achavam ficariam desorientados com a mudança, continuam crescendo e anunciando seus primeiros lugares nos vestibulares em anúncios na TV e nos jornais. A mudança mais visível dessa lei no Brasil aconteceu entre as universidades particulares. Só que é preciso lembrar que o ensino superior privado no Brasil apresentou uma situação singular nesses últimos anos: cresceu extraordinariamente, num ritmo de oferta de vagas muito maior do que o crescimento da renda do brasileiro. Por isso, é cada vez mais comum encontrar vestibulares de instituições particulares onde há mais vagas do que candidatos. Por essa razão, o exame para ingresso nas instituições particulares está cada vez mais fácil e menos parecido com o tradicional e aterrorizante vestibular das públicas. Há instituições que realizam testes todos os sábados. Outras fazem exames pela Internet. Há ainda as que reservam vagas para os candidatos que tenham mais de 35 anos, dando a eles a oportunidade de fazer apenas uma redação e uma prova de conhecimentos gerais para conseguir uma vaga no ensino superior. Volta e meia, o MEC ou o Conselho Nacional de Educação recebem denúncias de que algumas instituições, na busca desesperada por alunos, oferecem facilidades demais para atrair estudantes. Foi o que aconteceu com a Universidade Estácio de Sá, do Rio de Janeiro, denunciada pela TV Globo por ter classificado um analfabeto em seu vestibular. Por enquanto, a LDB,
nesse aspecto, mirou no que viu e acertou no que não viu. Quis
deixar o exame das concorridas universidades públicas mais inteligente
e menos sujeito a decorebas e preparações em cursinhos,
mas acabou mesmo é facilitando a vida das instituições
particulares que procuram alunos desesperadamente.
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