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É consenso entre os educadores que um país forte só se faz com universidades de ponta. É por essa razão que ninguém discute a importância das universidades públicas brasileiras. Feito essa ressalva, vale a pena refletir sobre o que falou o ministro Cristovam Buarque na abertura da Bienal do Livro do Rio, no dia 15 de maio. O ministro reclamou que passava "90% do seu tempo" atendendo a pedidos de representantes das universidades por mais verbas. Não se discute que esses pedidos são legítimos. As universidades hoje realmente precisam de mais verbas, ao mesmo tempo em que também precisam rever alguns de seus métodos e currículos. Mas o que impressiona é a porcentagem do tempo do ministro que sobra para discutir o ensino básico. Segundo as estatísticas do MEC, estudam hoje no ensino superior 2,7 milhões de alunos. É um número vergonhoso, que precisa ser aumentado para melhorar a escolaridade da população. Mas não consigo resistir a tentação de comparar os 2,7 milhões de universitários com os 44 milhões de alunos no ensino básico. Como já mostrei em outras colunas aqui, estudos mostram que os brasileiros que conseguem chegar ao ensino superior são, em sua maioria, representantes da parcela de 10% mais ricos da população. Não significa que sejam ricos, mas significa que são mais ricos do que a média dos 44 milhões de alunos no ensino básico. Por que a universidade brasileira é tão elitista? Justamente porque, como todos sabem, o ensino que nós damos aos 44 milhões de estudantes do ensino básico só é bom para aqueles poucos que estudam nas melhores escolas particulares. O restante, quando muito, consegue chegar ao ensino médio público. Do ensino médio público para a universidade são pouquíssimos os que conseguem ultrapassar essa barreira. Por que a sociedade brasileira - e as próprias universidades - não fazem um lobby tão forte e necessário para o ensino básico quanto o que é feito a favor das universidades? Um país que estivesse engajado na diminuição das desigualdades sociais pressionaria tanto o ministro por mais atenção ao ensino básico quanto como para melhorar as condições das universidades brasileiras. Ninguém critica o fato de as universidades - públicas e particulares - fazerem seu lobby com tanta frequência. O que não dá para entender é porque não nos preocupamos assim com o ensino básico. |
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