| ||||||||||||||||||||||||||||||||
|
Assim como se fala na "bomba-relógio" da previdência no Brasil, a educação também tem a sua. No caso do ensino, essa bomba está armada no ensino superior. O diagnóstico já foi feito há algum tempo. O Brasil precisa ampliar o número de estudantes no ensino superior rapidamente. Hoje, a porcentagem de nossa população com nível superior é inferior a de países vizinhos nossos como Argentina, Chile e Uruguai - isso para não comparar com os países desenvolvidos. Para chegar à universidade, no entanto, é preciso completar o ensino médio. Nesse campo, temos avançado bastante. Em 1996, formávamos 5,7 milhões de jovens no ensino médio. Em 2001, esse número pulou para 8,4 milhões. O grande problema é que nosso ensino superior não consegue crescer o suficiente para atender a essa demanda, já reprimida. Em 1996, havia 1,8 milhão de alunos no ensino superior. Em 2001, eram 3 milhões. Isso significa que no mesmo período foram criadas 2,7 milhões de vagas no ensino médio e apenas 1,2 milhão no ensino superior. A questão fica ainda mais grave quando percebe-se que, desse 1,2 milhão de vagas, apenas 200 mil foram criadas em universidades públicas. A expansão do ensino médio, no entanto, é causada apenas pelo ensino público, já que o ensino privado chega a ter taxas negativas de crescimento. Supondo que um aluno de escola pública não têm condições de pagar uma universidade particular, a conta mais correta a fazer é comparar o crescimento das universidades públicas - de apenas 200 mil alunos - contra o crescimento das escolas de ensino médio públicas - de 2,7 milhões de alunos. Se não há vagas suficientes na universidade pública, o jeito é procurar a particular. O problema é que não há dinheiro para pagar a mensalidade. Uma das cenas mais comuns nas universidades privadas é ver estudantes que se matriculam, estudam cinco ou seis meses, atrasam a mensalidade e não conseguem pagar a dívida para retomar os estudos. Como o financiamento privado tem juros absurdos e o público (o Fies) é muito restrito, as taxas de inadimplência nas instituições particulares vão lá para as alturas, no mesmo ritmo das relações candidato/vaga das instituições públicas. Esta é a bomba-relógio
da educação. Ela não para de aumentar sua carga,
visto que as taxas de crescimento do ensino médio vão continuar
em ritmo elevado e não há perspectivas - pelo menos nesse
primeiro ano de cinto apertado no governo Lula - de aumento significativo
de recursos para as instituições federais ou para o Fies. |
| ||||||||||||||||||||||||||||||