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No mês passado, o MEC e especialistas na área de educação infantil discutiram a proposta do ministro Cristovam Buarque de fazer uma bolsa para que mães pobres cujos filhos não estudam em creches cuidem das crianças. Para isso, elas receberiam também cursos de alfabetização e de cuidados básicos. A proposta foi criticada por alguns especialistas, que defendem que as crianças de menor renda tenham acesso à creche. A idéia de cuidar e educar as crianças em casa seria, na opinião deles, uma maneira de o MEC e os municípios deixarem de investir na ampliação das creches e darem aos pobres uma educação de segunda qualidade. Reforçaria ainda, na visão de alguns, o estereótipo de que o papel das mulheres é ficar em casa cuidando dos filhos, enquanto o homem sai de casa para trabalhar. As críticas e a defesa do MEC ao programa mostram uma distância entre os que defendem, legitimamente, o que é ideal, e o que os argumentam, também com legitimidade, que é preciso fazer o que é possível. A idéia das mães educarem os filhos recebendo uma bolsa é, sem dúvida, uma maneira de melhorar e expandir o atendimento na primeira infância sem precisar lançar mão de recursos que hoje faltam em todas as áreas do orçamento público. Por outro lado, é, também, uma maneira de dar aos mais pobres uma educação de pior qualidade, se levarmos em conta que o acesso à creche entre as crianças mais ricas é muito maior do que entre as pobres. Enquanto o orçamento para a educação não aumenta, é difícil apontar quem tem a razão nessa disputa. O programa de uma bolsa para mães, em tese, é muito interessante. Sem gastar muito, o MEC ajudaria a família, parte essencial da educação, a educar melhor seus filhos. O perigo, como apontam os especialistas, é ele acabar substituindo ou mascarando a real necessidade de expandir o atendimento em creches para as crianças mais pobres. |
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