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A convite da Andi (Agência de Notícias dos Direitos da Infância) e da Fundação Orsa, cerca de 20 jornalistas de todo o Brasil se reuniram em São Paulo para buscar explicações para um fato: nós, jornalistas, cobrimos pouco - e mal - a educação infantil, que atende em creches e pré-escolas crianças de 0 a 6 anos. O jornalista tem a fama - merecida - de ser aquele sujeito arrogante, dono da verdade, que gosta muito de criticar os outros, mas não admite seus próprios erros. A troca de idéias entre vários jornalistas mostrou que essa generalização (como todas as outras) é burra. Entre as diversas explicações para o pouco espaço dado à educação infantil levantadas por jornalistas, muitas diziam respeito ao trabalho do repórter. O tempo é sempre escasso, nem sempre é fácil convencer o editor da importância de um tema como a educação infantil, mas, ainda assim, há muito que o jornalista pode fazer por sua própria conta. A começar pela especialização, diversificação de fontes, senso crítico ao publicar uma matéria em tese favorável ao governo, e, mais do que tudo isso, criatividade ao sugerir pautas e na abordagem dos temas. O Brasil tem cerca de 27 milhões de crianças em idade de 0 a 6 anos. É justamente esse público que está sendo ignorado na imprensa. Só para se ter uma idéia, a pesquisa da Andi mostrou que das 20 mil matérias publicadas no ano passado sobre educação, menos de 800 diziam respeito à educação infantil. É provável que falemos mais sobre cursos de pós-graduação (feitos por uma minoria) do que da educação recebida pelas crianças de 0 a 6 anos. Quando falamos sobre o assunto, a pesquisa mostra que há uma tendência a sermos superficiais e, muitas vezes, favoráveis aos governos, já que 58% das matérias eram feitas com fontes oficiais. Outro dado que revela a falta de atenção da mídia impressa para a educação infantil é o fato de, no ano passado, nenhum artigo de opinião em jornais ter abordado o tema. Em palestra para os jornalistas, o deputado federal Osmar Terra (PMDB-RS), presidente da Comissão para o Desenvolvimento da Primeira Infância da Câmara, lembrou que é nos três primeiros anos da vida de uma criança que seu cérebro mais se desenvolve. A criança que não for devidamente estimulada até essa idade (às vezes, basta o olhar afetuoso de uma mãe para que o cérebro receba um estímulo) terá serias dificuldades de aprender mais tarde. Pior do que isso, pode também se tornar agressiva (caso seja vítima de maus tratos). O preço da nossa ignorância (mas, convenhamos, a culpa não é só da imprensa) custa caro para o país.
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