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A expansão do ensino superior no Brasil é uma ótima notícia, que deve ser comemorada ao mesmo tempo em que devemos nos preocupar, e muito, com seus efeitos a médio e longo prazo. Está certo o governo Federal ao tentar faturar como positivo o número que demonstra que a matrícula em cursos de graduação cresceu quase 14% de 1999 para 2000. Esse foi o maior crescimento da década, em um área em que o Brasil precisa continuar expandindo. O país tem uma das médias de universitário por habitantes mais baixas da América Latina, para comparar apenas com nossos vizinhos. Na década de 80, as matrículas tiveram um crescimento pífio, o que só piorou esse indicador já que o número de jovens, principalmente os mais pobres, não parou de crescer no Brasil. Dentro desse contexto, não há dúvidas que é positivo o crescimento no número de alunos. O porém é que ele cria um problema a médio e longo prazo difícil de resolver. O mesmo censo do ensino superior apresentado pelo MEC mostra que o maior crescimento aconteceu na rede privada: 17,% em um ano, enquanto o crescimento nas públicas ficou abaixo dos 10%. O crescimento mais acelerado da rede particular é um fenômeno que vem se repetindo nos últimos anos. O problema é que não cresce no mesmo ritmo o número de alunos egressos do ensino médio com condições de pagar mensalidades. Trocando em miúdos, cresce o número de vagas, mas não cresce o número de estudantes com condições de pagar por elas em instituições privadas. Com isso, está aumentando a intensidade de dois fenômenos: o primeiro, já conhecido, é o da inadimplência nas particulares. O segundo que começa a aparecer com mais freqüência são as vagas ociosas nas instituições particulares. É o que mostra a reportagem de Marta Avancini no Estado de S. Paulo de 26 de novembro. O crescimento baseado principalmente nas particulares, sem o aumento da população com condições para pagar por um curso particular, fará com que o governo tenha que mudar sua política. Uma das saídas é aumentar o número de vagas nas públicas. É, também, a saída mais cara. Outra seria cobrar mensalidades dos que podem pagar e estudam em públicas, mas, mesmo assim, o Estado teria que continuar financiando os custos, cada vez maiores, do ensino superior público. A terceira solução poderia ser o aumento do financiamento (por meio do Fies ou de um novo programa de crédito educativo) em instituições privadas. Essa parece ser a solução mais barata, mas, em compensação, é também a que afetará a qualidade da média do ensino superior no Brasil, já que, segundo o Provão, são nas universidades públicas que estão os melhores cursos. Em comum às
três soluções, há apenas um ponto: todas elas
desagradarão um setor da sociedade. |
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