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Verdade Patriótica Quando todos se sentem na obrigação de dizer que o presidente é honesto, como eu próprio já disse e escrevi, algo está muito errado. Um presidente da república tem que estar tão acima dos desmandos do dia-a-dia que falar de sua honestidade pessoal seja desnecessário. Entretanto, depois de semanas de rumores envolvendo o seu mais próximo colaborador, muitos brasileiros foram obrigados a isolar o presidente, em artigos, frases e manifestos, separando-o dos desmandos que cometiam ao lado de sua sala. No lugar de diminuir, a desconfiança continuou. As pessoas se perguntam o porquê de tanta manifestação. Quem quiser defendê-lo, tem de colaborar para que tudo seja esclarecido. Subterfúgios, tergiversação e manipulação podem servir aos que querem tirar proveito, querem cobrar pelo serviço da defesa, acumular crédito junto ao presidente, mas não aumentarão sua credibilidade. Um país pode resistir a qualquer descoberta sobre qualquer de seus homens públicos. O que não suporta é desconfiar longo tempo de seus dirigentes. No ponto a que as coisas chegaram, a oposição presta um serviço ao país e ao presidente ao lutar por uma CPI que esclareça, no lugar de uma subcomissão que esconda os fatos. Mas, para prestar este serviço, a oposição tem que entender que a CPI é para esclarecer, não para tergiversar no sentido contrário, é para recuperar a confiança nacional, mesmo às custas da reputação de quem quer que seja, não para manipular uma crise em benefício próprio. A diferença entre uma CPI que busque recuperar a confiança nacional, esclarecendo uma verdade que o governo possa estar interessado em esconder, e uma que deseje desvirtuar a verdade, como alguns podem estar interessados em fazer, está em perceber a diferença entre governo e nação. Uma oposição só é séria quando é patriótica. Coloca os interesses do seu país acima de todos os outros, inclusive dos seus. Exigir prova de honestidade do governo e do presidente é uma forma de ser patriótico, desde que isso seja para melhorar, jamais para prejudicar o país e o povo. Para jogar contra o povo há o ex-secretário do presidente e o senador cassado que o apoiava. A oposição tem que lutar contra esses, não contra o país, seu crescimento econômico, sua estabilidade monetária, a continuação de programas sociais. E isso tem que ficar claro na opinião pública. O Brasil já desconfia demais de seu governo, não podemos permitir que passe a desconfiar também da oposição. O governo vem tentando manipular a opinião pública ao dizer que uma CPI para descobrir possíveis corrupções dentro do governo vai contra os interesses nacionais. Como faziam os militares no tempo do "amem-no ou deixem-no". Mas a oposição não pode deixar que essa visão domine a opinião pública. Primeiro, não cultivando essa visão, realmente. Segundo, delimitando e defendendo os interesses nacionais. Se é para esclarecer, não se pode cair na tentação de criar problemas para o país, em nome de criar problemas para o governo. A oposição só é séria se for intransigente na crítica aos erros do governo e patriótica diante dos interesses nacionais. O governo não parece estar sendo patriótico ao querer esconder possíveis corrupções de seus dirigentes, quaisquer que sejam eles. A oposição só será patriótica se fizer uma CPI para o país sair fortalecido. A saída de Collor não prejudicou o Brasil, foi sua eleição que nos prejudicou. Para que isso se repita, a oposição tem que defender a CPI, deixando claro seus limites: que não é oportunista, querendo tirar proveito eleitoral da tragédia da corrupção, e que aceita definir os limites que permitam proteger a moeda, o crescimento, o emprego e os projetos sociais. Caberá ao governo ficar na defensiva e dizer onde estão as fragilidades do modelo que ele próprio criou, para que situação e oposição definam os limites de seus trabalhos. O povo será beneficiado, porque não pagará duas vezes o preço da corrupção: quando ela é feita e quando é descoberta. A maior vingança de um corrupto é prejudicar o povo novamente, no dia em que é desmascarado. Com responsabilidade, o Brasil sairá mais fortalecido, qualquer que seja o resultado de uma CPI, desde que sem esconder nem manipular fatos e com a definição clara de unidade nacional em torno dos principais pontos que nos interessam a todos. O governo, muitas vezes, age de maneira manipuladora, dizendo que uma investigação de suas entranhas desmoralizaria o Brasil e traria inflação, aumentaria a pobreza. Isso é prova do fracasso de um governo que usa a chantagem para evitar que descubram seus defeitos. A oposição deve saber que manipulações também teriam repercussões negativas na condição nacional e poderiam terminar dando força ao próprio governo que jogaria na oposição a responsabilidade de desastres sociais e econômicos, dos quais os culpados são eles. |
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