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O Consenso do Mundo Durante décadas, o mundo acreditou que os problemas da pobreza seriam erradicados através do crescimento econômico. Através de protecionismo, sem limites fiscais e investimentos externos, viria o consequente crescimento econômico. O Banco Mundial foi um dos principais formuladores, divulgadores e financiadores desta idéia. Nas últimas décadas, com o chamado Consenso de Washington, o crescimento continuou sendo visto como o caminho para a erradicação da pobreza, mas sem protecionismo, dentro das leis de mercado, com um estado pequeno, lógica privada e sobretudo equilíbrio fiscal. Depois de mais de uma década deste Consenso, a pobreza não diminuiu e a desigualdade aumentou. O Banco Mundial é uma das primeiras instituições a perceber a necessidade de uma mudança de rumo. Com este propósito, esta semana, em Brasília, o BIRD reuniu um grupo de pessoas para buscar respostas ao problema de como enfrentar a pobreza. O mundo está carente de um consenso do mundo, no lugar daquele de Washington. Sem o risco do futuro que nos ameaça e a sem volta a um passado superado. Um consenso que reúna a realidade da economia - com o mercado, a globalização, a privatização, o equilíbrio fiscal e um estado pequeno - , com os sonhos, ainda vivos, de um mundo sem pobreza. O caminho não está em nenhuma revolução social, nem na continuação do desastroso rumo do neoliberalismo. Uma alternativa estaria no uso de uma parte da imensa riqueza do mundo de hoje, ao redor de US$30 trilhões por ano, para financiar projetos que permitam oferecer os bens e serviços essenciais a todos os habitantes do planeta. Isto é possível através de incentivos sociais simples que permitam mobilizar a população pobre e ociosa do mundo para que ela produza o que necessita para sair da pobreza. O desenvolvimento se baseou na idéia, que o Banco Mundial espalhou pelo mundo, de que o emprego de pobres para fabricar os produtos de que os ricos precisavam, garantiria os salários que eliminariam as necessidades e a pobreza. Isso não ocorreu, não houve emprego para todos e os salários não foram suficientes. A pobreza pode ser enfrentada com programas de pagamento aos pobres para que eles próprios produzam o que necessitam: incentivos decentes para induzir a um produtivismo social. Nem a ilusão
do welfare state que doa dinheiro aos pobres sem nada pedir em troca,
com o argumento de que comprariam o que necessitam no mercado, nem as
falsas promessas do desenvolvimento de sair da pobreza produzindo para
os que já são ricos. |
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