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Uma semana de debates, em três diferentes capitais do leste europeu, prometia um distanciamento da questão do terror em Nova York, afinal nesses lugares estariam reunidas pessoas de todo o mundo, discutindo três temas distintos e específicos: corrupção, em Praga; educação, em Bucareste, e globalização, em Budapeste. A idéia era refletir sobre esses temas e não sobre o terrorismo. Puro engano. O mundo destes dias parece estar convencido de que um novo período começou no 11 de setembro, como se a História se dividisse em a. 11/9 e d. 11/9, como foi dividida em a.C. e d.C. pela civilização cristã. E andam todos perplexos a tentar explicar logicamente a loucura que tomou conta do mundo. Nada indica vantagens
políticas ou militares para os terroristas que derrubaram as torres
do World Trade Center e parte do Pentágono. Nada indica vantagens
de longo prazo para os EUA por bombardearem o Afeganistão. Se for
morto bin Laden, os EUA terão criado um mártir. Se desaparecer,
terá sido criado um herói mítico invencível.
Se for encontrado, preso e levado a julgamento, terão criado uma
vítima que vai mobilizar grandes manifestantes em todo o mundo
e por muitos meses. No lugar de levar o assunto para os órgãos internacionais, dar todo apoio militar e de informação para punirem-se os responsáveis e parar o terrorismo, os EUA preferiram declarar guerra, com apoios externos. No entanto, esse aparente equívoco tem uma lógica: os erros da política externa são compensados por resultados na política interna. Uma operação internacional de captura seria mais eficiente - os próprios vizinhos e a comunidade islâmica poderiam dar uma solução política ao Afeganistão e tratar com rigor o caso de Bin Laden -, mas isso não atenderia os desejos e sentimentos da opinião pública norte-americana. Ao errar na política externa, o presidente Bush está colhendo resultados positivos na política interna. Ele está, democraticamente, agindo de acordo com as pesquisas de opinião pública e a vontade do eleitor. Porque a democracia não leva em conta os estrangeiros. Para os gregos, os pais da democracia, estrangeiro era sinônimo de bárbaro, como hoje o povo americano trata os afegãos. Bush ordenou bombardeios
que deixarão seqüelas na política externa por muitas
décadas, mas que consolidam o apoio interno imediato. Ele está
criando problemas para os seus sucessores nos próximos 30 anos,
mas está assegurando os votos necessários para uma reeleição
dos republicanos, ou mesmo própria, daqui a 30 meses. O choque entre lógica
e loucura é um choque entre duas formas de pensamento com formulações
próprias e distintas: de longo prazo, do conjunto dos habitantes
visando ao futuro do país e a de curto prazo, representada pela
vontade imediata de cada eleitor no momento presente. Não apenas as personalidades dos políticos são hoje diferentes do que eram nos dias de Churchill, mas também a falta de grandes causas políticas de longo prazo e que justifiquem enfrentar a opinião pública e convencer os eleitores de sua importância superior às questões imediatas e soluções que possam parecer mais simples, porém não duradouras. Os líderes disputam eleições e ocupam cargos sem objetivos maiores e tornam-se presas do cargo. Sem causas para liderar, são liderados pelas pesquisas de opinião. Porque uma democracia sem causa é uma democracia míope. |
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