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Uma
poesia, uma lição sobre educação Quem não se lembra do poema "Liberdade" de Fernando Pessoa? Começa assim: "Ai que prazer não cumprir um dever, ter um livro para ler e não o fazer! ler é maçada, estudar é nada. O sol doira sem literatura"... Delírios de poeta? Afinal, vivemos em um tempo que o tema formação educacional parece que entrou definitivamente na agenda social. Pode-se dizer que esta preocupação, ou um grande filão, circula por quase todos os meios: das conversas em família, passando pelos corredores das escolas, escritórios das empresas, gabinetes governamentais até a publicidade das instituições de ensino. Nas últimas duas décadas, principalmente, em virtude do acelerado processo de globalização das sociedades, passamos a conviver no nosso dia a dia com uma diversidade de conceitos como sociedade da informação, do conhecimento, condições de empregabilidade entre outros. Geralmente o que mais chama atenção, e às vezes causa muita ansiedade, são as exigências que esta nova realidade em construção coloca para a educação, principalmente em relação ao mundo do trabalho. Alardeia-se que a principal matéria-prima, neste contexto, é o conhecimento. Seguindo uma lógica diferente de outros bens, o conhecimento se porta de maneira diferente: quanto mais se dá , mais se tem. É hoje um patrimônio, sem dúvida, muito cobiçado. Daí a euforia, o boom da educação. E parece que o caminho é um só: atender as demandas impostas pelos ajustes neoliberais. E o que tem o poeta a ver com tudo isso? É que lá no seu próprio tempo, em suas diversas fases e de seus heterônimos, ele pensou no sentido da educação. Na finalidade do discurso mentalista acerca do conhecimento, tão divorciado dos processos vitais, do curso prazeiroso da vida que se afirma dia após dia, oscilando entre o equilíbrio e o desequilíbrio, embora não saibamos até quando o sol vai continuar a nascer e a se por. Mas, por ora, a vida quer viver. Não se pode negar que precisamos ser instruídos. Muitas habilidades e competências, como por exemplo dirigir, adquirimos por meio do adestramento. A grande questão é que o ato de educar muitas vezes se restringe a instrução. Neste movimento de aprendizagem, o nosso cérebro/mente elabora e cumpra regras. Segue lógicas rígidas e lineares. É dessa forma, em boa parte das vezes, que obtemos os conhecimentos que precisamos para exercer as atividades no dia a dia e também os títulos que nos abrem caminho para ingresso no mercado de trabalho. Sem dúvida, precisamos de ordenamento, esforço, disciplina e empenho para seguir a trilha do conhecimento. Mas, precisamos de sofrimento? Muitas vezes, quando o estudo vira uma obrigação a sensação que temos é que a vida de verdade flui lá fora, bela e gostosa, e que para nós o que resta é o desprazer. Embora hoje não se saiba muito sobre como se aprende, estudos científicos no campo da Biociências e dos processos cognitivos tem evidenciado que o uso do cérebro/mente somente de forma instrucional, negando os movimentos básicos da vida onde a ordem é o caos se interpenetram, é privar o cérebro do uso de outras lógicas não-lineares que abrem a porta para o imprevisto (o caos), para novas formas de pensar e sentir o mundo. Não criar condições para que o cérebro se expanda segundo a sua própria dinâmica vital é subutilizar o potencial humano. O cérebro/mente está estruturado para a fruição, para que o pensar seja uma atividade de prazer. Mas a escola, muitas vezes, não se atém a isso. O conhecimento é trabalhado de forma linear, ordenada, e ainda se cultuam discursos progressistas e idealistas sobre a intencionalidade do ato de educar. O prazer é postergado pela retórica e projeções do imaginário. Não se criam
as condições para o surgimento de um pensar próprio,
de um conhecimento vivo, carregado de sentido, de encantamento e de crença
na vida, assim como ela se desenrola e se afirma dia a após dia.
Avaliando depois pude perceber que, naquele breve momento, foram feitas pontes entre a aprendizagem e a vida concreta. Por meio da comunicação, de novas linguagens, o meu pensamento interagiu com o dele produzindo um conhecimento vivo, porque o tocou e trouxe novos questionamentos para sua vida profissional. Penso que a educação deve ser plural como as pessoas e suas idéias; voltar-se para encaminhar as pessoas para a vida, para realização de seus projetos, para que elas sejam felizes. O conhecimento tem que ser mobilizado para este fim. E para isso, instrução só não basta; atender as demandas do mercado competitivo também não. É preciso uma pedagogia renovada que alie conhecimento ao prazer.
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Críticas? Mantida por Jorge Luiz
Kimieck |
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