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Falo de uma realidade utópica, onde os colégios teriam prazer em formar, e não seriam apenas instrumentos empresariais, ou obrigações governamentais. No nosso mundo, na nossa sombra da realidade, encontramos um pequeno espaço para a arte. Tão pequeno que chega a ser inexpressivo, decrescente. Explico: na grande maioria das escolas, a diversas formas de expressão artística são passadas com bastante insistência na Educação Infantil, diminuem um pouco nos quatro primeiros anos do Ensino Fundamental, são trabalhadas sem grande destaque nos outros quatro anos, e perdem-se no Ensino Médio. Afinal, com raras exceções, arte não é assunto de vestibular, e assim, teoricamente, não tem grande importância. Suas formas também diminuem. É comum as escolas apresentarem aulas de música e dança para crianças pequenas, mas é algo raro encontrar na grade curricular dos Ensinos Fundamental e Médio as mesmas disciplinas. Ou seja, a quantidade diminui, e a variedade também, causando um grande prejuízo para estas crianças e adolescentes. Neste período tão tumultuado da vida, onde as pressões são maiores e a área de escape muitas vezes acaba sendo o uso de drogas, as aulas de arte resumem-se a um horário semanal, como que um fardo a ser carregado pelas escolas. Justo a expressão artística, tão útil para diminuir a agressividade, o estresse, extravasar as emoções, é esquecida pelas escolas, pelos programas do governo. É claro que existem exceções, mas estas geralmente são escolas particulares, muitas conhecidas como "alternativas", e por conseqüência, se restringem a uma pequena parte da população. Como bem disse Irineu Franco Perpétuo, um dos autores do livro Populares e Eruditos, a idéia não é formar grandes musicistas, artistas plásticos, atores, mas sim cidadãos plenos, mais sensíveis à arte. Os benefícios não têm fim. Vão desde pessoas mais calmas, com sensibilidade aguçada, até cidadãos mais aptos a fazer o país progredir. Para transformar a situação atual, a fórmula é simples: basta que as escolas se preocupem mais em formar cidadãos, e menos em formar bonequinhos treinados para passar no vestibular. Isto indicaria uma mudança de atitude, que iria desde um maior espaço para aulas de filosofia, sociologia, expressão artística, até o reconhecimento da individualidade de seus alunos. A escola respeita a personalidade, os gostos e talentos de seus alunos, reconhece seus conhecimentos anteriores, interage com eles. Os alunos sentem mais prazer em assistir às aulas, dedicam-se mais. A arte ganha novos adeptos e admiradores. A sociedade, cidadãos mais sensíveis. Uma fórmula de resultados, bons, e para todos Comentários?
Críticas? Mantida por Jorge
Luiz Kimieck |
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