Transformar uma
escola deteriorada numa escola super especial
Sou Marisol, de Salto (interior de São Paulo), tenho 38 anos. Depois de
muito tempo, resolvi voltar a estudar e estou no último ano de Pedagogia
com Deficiência da Audiocomunicação. Faço parte de uma associação de
surdos, a ASPAS, fundada em janeiro deste ano.
Estou com um projeto de reconstruir uma escola no centro de Salto. É um
prédio antigo que está se deteriorando a cada dia. À noite, os vândalos
entram na escola para utilizarem drogas e a destroem cada vez mais.
A Secretária da Educação emprestou três salas para a nossa associação.
Nos reunimos todos os sábados para discutir como ajudar os surdos da
nossa comunidade.
O trabalho se direcionou a escolas que tinham surdos inseridos em rede
regular de ensino. Passamos a fazer orientação pedagógica aos
professores e coordenadores. Os convidamos a conhecer nossa associação e
aprender a língua de sinais. Fazemos reforço escolar com as crianças
surdas e ensinamos a língua de sinais também aos pais que trazem seus
filhos.
O que desejo agora é reconstruir a escola, para que venha a atender às
necessidades dos alunos surdos. Funcionaria diariamente com professores
especializados, atendimento fonoaudiólogo e psicopedagógico. Um lugar
onde as crianças pudessem ficar o dia todo, com refeições e atividades
- aulas de dança, educação artística, jogos. E também que arcasse com
o custo do aparelho auditivo à criança que precisasse.
Existem muitos pais de crianças surdas desinteressados. Eles não as
levam periodicamente a consulta com fono e nem se preocupam com a vida
escolar da criança. Ela depende muito dos pais para sair de casa, pela
dificuldade de comunicação. Muitos pais privam seus filhos de benefícios
que só fariam bem a eles. Estes pais não sabem o mal que fazem a seus
filhos.
Os responsáveis pela Educação também parecem não compreender que os
surdos são seres humanos com direitos iguais aos dos ouvintes.
Para financiar este projeto, pensei em pedir ajuda às fábricas da
cidade. Mas aqui, há poucas indústrias. Salto investe agora no turismo.
.
Seja você o colunista da próxima
semana!
Clique aqui
para enviar sua matéria.
Entre
em contato com o(a) autor(a) do artigo:
Mantida por Jorge Luiz
Kimieck kimi@avalon.sul.com.br Última atualização: 18/08/00 00:12
Marisol Bergamo,
38, estuda Pedagogia com Deficiência da Audiocomunicação
e faz parte da ASPAS, associação de apoio ao portador
de deficiência auditiva de Salto (SP).