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Minhas
torradas não! ! ! Achei estranho quando meu pai colocou em um envelope algumas peças e uma correntinha, que embora ninguém as usasse, eram de ouro; e lá fui eu no dia seguinte, em fila junto com os outros colegas, desde o Instituto Caetano de Campos, na praça da República até a Rua sete de abril depositar o envelope na urna especialmente destinada e este fim. Era nossa contribuição para a campanha "Dei Ouro para o bem do Brasil". A aliança que recebi com esta inscrição, conservo até hoje. Foi a contribuição de minha família para a convocação que o governo naquela época. Muitas outras provas de patriotismo foram solicitadas pelos governos e situações emergenciais seguintes. Perdi um ano de meus estudos vestindo um uniforme verde e obedecendo ordens de pessoas com "pobremas cérios". Deixei de passear com a família aos finais de semana por não ter certeza se haveria combustível para o retorno. Tive dinheiro subtraído de minha conta sob sei lá que pretexto. Paguei compulsório sobre combustível e acreditava realmente que o governo devolveria aqueles valores que me tomou emprestado. Paguei selos inúteis que ainda hoje adornam o pára-brisas do meu veículo. Fiquei desesperado em uma viagem que fazia com a família, atrás de uma tal "Kit de emergência" que no mês seguinte virou "Kit Caridade". E agora, querem nos fazer sentir culpados pela falta de algo que não somos responsáveis pela produção e nem temos como fazer em casa. Há pouco tempo atrás presenciei o incêndio em uma favela que passo em frente quando retorno para casa, e era óbvio que as inúmeras ligações elétricas clandestinas causaram o acidente. No dia seguinte ao incêndio minha surpresa foi constatar as inúmeras escadas nos postes de energia e pingentes humanos refazendo esses "gatos", claro que desta vez com a supervisão oficial de uma veículo da Eletropaulo para evitar novos acidentes. Novamente me senti lesado. Lesado e culpado por pertencer a classe média que sempre é a convocada a atender os apelos e a dar sua maior cota de sacrifício em todos os projetos e planos elaborados por cada governo. Desde 1998 quando substitui as lâmpadas incandescentes comuns em minha residência pelas "salvadoras" lâmpadas compactas, venho dando minha parcela de contribuição que acredito ser bem maior que os 20 % que me forçam a economizar, só não tenho coragem de dizer para o meu vizinho que está gastando uma nota nessas maravilhas tecnológicas que elas não fazem milagre na conta, e ainda por cima não são isentas de impostos. Uma pergunta me surgiu esta manhã durante o banho: Se o presidente da república, tomasse banho em chuveiro elétrico, você acredita que ele realmente estaria preocupado se a regulagem do aparelho está na posição mais econômica? Essa neurose eletricitária já causou alguns choques entre minha esposa e eu; apavorada pela visão apocalíptica de que um belo dia vai parar um carro da Eletropaulo e nos deixar à luz de velas após todos os esforços de economia que fazemos e nos lançar nas trevas por infinitas horas. Ora...Pago em dias minhas contas de luz, pago a conta de luz das favelas, ou alguém acha que as concessionárias de energia assumem esse prejuízo sem repassar aos consumidores como eu ou você! Portanto tento convencer minha assustada esposa de que a economia é válida e necessária. TERRORISMO NÃO! Vamos desligar as lâmpadas, que não estão sendo usadas, evitar alguns vilões de consumo, como aquecedores de ambiente e aparelhos de ar condicionado que podem ser substituídos por cobertores, mas minhas torradas pela manhã nenhum governo vai me privar. Não posso aceitar ter o pouco conforto que podemos nos proporcionar , subtraído por medidas arbitrárias que se mostrarão , como já está ocorrendo , exageradas quanto a sua aplicação e extensão. Vou ajudar. Vou continuar cooperando. Mas as minhas torradas...Não!
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Críticas? Mantida
por Jorge Luiz Kimieck |
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