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As
vagas ociosas nas Universidades Públicas Muito se tem debatido sobre o papel das universidades públicas brasileiras em nossa sociedade. Apesar da existência de opiniões bastante diversas, o importante é que com as mudanças de governo e de posicionamento da sociedade frente às questões sociais, tornou-se indispensável às universidades ter mais compromisso social e ajudar o país na construção de uma sociedade mais justa. Vários pontos precisam ser discutidos, especialmente no tocante as vagas remanescentes em função da evasão escolar. O combate à evasão deve ser uma das mais importantes políticas educacionais a serem conduzidas pelo novo Ministro da Educação e dirigentes universitários. Nós, da Universidade Federal do Paraná, temos feito um grande esforço para propiciar a nossos alunos um ensino de qualidade e um ambiente propício a realização dos seus sonhos. Porém, muitos continuam abandonando seus cursos. Com isso, gera-se um grande número de vagas ociosas. Ao mesmo tempo, muitos alunos que estudam em universidades particulares vêem seu sonho de fazer um curso superior desaparecer por absoluta falta de condições para custear seus estudos. Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, para cada 100 alunos que ingressam nas universidades públicas brasileiras somente 64 terminam seu curso. O fato é que, por todos os prismas que se olhe, o país e seus cidadãos fazem um esforço grandioso para obter um resultado apenas regular no que diz respeito à formação de profissionais de nível superior. Por isso, nós dirigentes de instituições de ensino superior não podemos nos omitir diante desse problema. Creio que a UFPR já está fazendo a sua parte. Lançamos o PROVAR (processo de ocupação de vagas remanescentes) para o preenchimento de 1.247 cadeiras ociosas existentes na instituição. A primeira fase do concurso é dirigida somente a alunos da UFPR que desejam transferência de turno, campus ou habilitação. A seguinte é voltada para alunos de outras instituições, inclusive particulares. As provas serão realizadas em 23 de março. Se todas as demais universidades públicas de ensino superior, sejam elas federais, estaduais ou municipais, seguirem o mesmo caminho, cerca de 100 mil vagas ociosas estarão sendo preenchidas a custo zero em todo o País. Para a efetiva ocupação destas vagas, é preciso que as universidades mostrem seu compromisso social, e que, acima de tudo, estejam determinadas a enfrentar as inúmeras dificuldades que surgem quando um processo de mudança como este entra em curso. As dificuldades vão desde o entendimento equivocado da proposta, por absoluta falha na compreensão do processo, intencional ou não, até a forma como diretores das instituições fazem o cálculo para a oferta das vagas. Durante muito tempo este cálculo foi baseado na aplicação de fórmulas que quantificavam o número possível de alunos para um determinado curso. Exemplo: um curso que tem duração mínima de 5 anos, no qual entram 100 alunos a cada vestibular, obtém como número possível um total de 500 alunos. Teoricamente perfeito, 5 vezes 100 igual a 500. Na prática, um desastre! Destes 500 alunos, apenas uma parcela pouco superior à metade deles terminará o curso nos 5 anos previstos. Boa parte trancará a matrícula para realizar estágios não curriculares, outros sairão para trabalhar e outros simplesmente se evadirão da universidade em função de problemas vocacionais ou pessoais. Alguns dirigentes universitários, com a finalidade de minimizar este problema, aplicam a fórmula com a duração média prevista para aquele curso, superior à duração mínima utilizada inicialmente, o que corresponde a um avanço sem dúvida, mas que ainda não é a resposta. O fato concreto é que não existe fórmula a ser aplicada. Aparecendo a vaga ela precisa ser preenchida. A professora Terezinha Rios, doutora em filosofia da educação pela USP, resume assim a formação de um aluno no ensino superior. Ela diz que o processo de aprendizagem e formação profissional é como uma viagem de avião, na qual o comandante reitor e sua tripulação convidam os alunos para uma viagem de descobrimento e crescimento pessoal que tem por objetivo a formação de um profissional cidadão na verdadeira acepção da palavra. Da filosofia para a prática é exatamente isto que ocorre. Uma turma que inicia um curso superior é como um avião que levanta vôo. Ele certamente irá fazer sua viagem num período pré-determinado de tempo, ou seja, o tempo mínimo de cada curso. Portanto, quando o aluno pára o curso é como se tivesse pulado de pára-quedas, pois o avião não pode parar. À medida que o avião vai perdendo passageiros só existe um meio para retomar a lotação da partida. É colocando novos passageiros que estão no mesmo nível de altitude, ou seja, no mesmo estágio daquela turma. Chegar ao ponto final com o avião cheio significa otimização de recursos, maior produtividade e acima de tudo uma importante política de inclusão social, pois possibilitará que passageiros que nunca terminariam a viagem, cheguem ao destino, concluam o processo de formação profissional e tornem-se importantes para a sociedade que tanto investiu neles. Comentários?
Críticas? Mantida por Jorge
Luiz Kimieck |
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