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Apartheid
digital Sérgio Eustáquio da Silva
O sistema educacional brasileiro não deu conta ainda da inclusão
no seu sentido mais restrito - garantia de vaga para todos os alunos de
7 a 14 anos - e somente agora começa a acordar para o sentido mais
amplo da inclusão - inclusão e permanência na escola,
de todas as crianças sem exceção que, num país
de extremas desigualdades como o Brasil, significa inclusão do
negro, das camadas marginalizadas, dos alunos com escolaridade interrompida
e do portador de deficiência - coisa normal e corriqueira em países
como a Espanha, e já nos deparamos com um outro tipo de exclusão
que afeta grande parte da população brasileira, jovens,
adultos e meninos(as) em idade escolar de 7 a 14 anos, além de
um grande número de pessoas que exercem cargos e funções
pedagógicas por todo o Brasil: o apartheid digital.
Não se trata, como muitos pensam, simplesmente da falta de acesso
à computadores, softwares e impressoras mas, da exclusão
de milhares de cidadãos do acesso às novas tecnologias da
informação que estão alterando o cotidiano humano
por todo o globo, influindo em processos sociais complexos - como a democratização
do conhecimento e da informação, à participação
na (re)construção dos conhecimentos veiculados e às
múltiplas possibilidades que a interação com o conhecimento
abre na vida das pessoas - colocando para o campo da educação
a necessidade de ampliar conceitos banalizados como o de "alfabetização"
e, consequentemente, obrigando-nos a pensar no que é necessário
para considerar um indivíduo "alfabetizado", dentro das
novas condições e perspectivas que se abrem com as novas
tecnologias da informação.
Ao que parece tais preocupações não atingiram ainda
setores do governo como o Ministério da Educação
e Cultura(MEC) com a urgência e profundidade que o tema merece.
O governo federal fala em programas de distribuição de computadores
para as escolas - sonho que nós professores, nunca vemos concretizar
- como se tratasse somente de distribuir máquinas e impressoras
para que exista um processo de inclusão digital no sistema educacional
brasileiro.
Além do acesso à máquinas torna-se urgente redes
de conexão com a Internet, redes de comunicação internas
nas próprias escolas, softwares educativos, programas que permitam
a construção de páginas da Web e que possibilitem
a conexão e a troca de informação entre as escolas
brasileiras, formando uma verdadeira teia de comunicação
educativa.
Evidentemente, não há como pensar em tais processos sem
uma atenção especial com a figura do professor. Num tempo
em que se fala de pesquisas "on-line", mecanismos de busca eletrônica,
livros, revistas e cursos virtuais, bancos de imagens, grupos de discussão
e trabalhos cooperativos em rede, os professores não podem ficar
alijados do uso de tais tecnologias, num contexto onde cada vez mais seu
papel torna-se imprescindível, já que o simples acesso à
tecnologia, à informação e ao conhecimento, sem postura
crítica, capacidade de reelaboração e diálogo
com esse conhecimento, também não significa muita coisa.
O acesso às novas tecnologias da informação pode
contribuir para o redimensionamento da função social da
escola que, sem dúvida, deve ultrapassar a mera função
de "transmissora dos conhecimentos historicamente acumulados"
para transformarem-se em local de diálogo com o conhecimento, de
discussão sobre o valor e a utilidade deste ou daquele conhecimento,
de repensar e democratizar-se o conhecimento, agora disponível
de forma tão abundante que chega-se a falar em "poluição
da informação" .
Assim, a inclusão digital significa muito mais do que possibilitar
o acesso à computadores, à informação e ao
conhecimento mas, sobretudo, possibilitar a construção de
um modelo educativo que trabalhe as novas necessidades cognitivas que
as tecnologias da informação exigem, tais como a capacidade
de trabalhar com a pesquisa, de entender linguagens diversificadas como
a escrita, a visual, a estética, a capacidade de trabalhar com
hipertextos, escolhendo caminhos e opções para "navegar"
na informação e no conhecimento, a capacidade de elaborar
trabalhos em grupo utilizando as novas tecnologias e um novo conceito
de alfabetização que incorpore, além das habilidades
de leitura e escrita, a capacidade de compreender e de interagir com o
conhecimento e a informação.
A educação e o acesso às novas tecnologias da informação,
numa sociedade com o grau de desigualdades como a brasileira, além
de funcionar como mecanismos de democratização, podem funcionar
como antídoto contra a formação de um Brasil "off-line",
numa sociedade cada vez mais globalizada e interconectada.
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Mantida por Jorge Luiz
Kimieck kimi@avalon.sul.com.br Última atualização:
25.08.2001 14:31
Sérgio
Eustáquio da Silva, pós-graduado em história
moderna e contemporânea, professor da E.M. Hélio
Pellegrino e componente do departamento de educação
da regional nordeste da PBH
Minhas torradas não!! Somos todos aprendizes Uma
poesia, uma lição sobre educação Professor
precisa se abastecer gratuitamente de cultura Educação Profissiona