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Internet: a vitória do mundo moderno Amyr Klink, em seu novo livro Mar Sem Fim, instiga o leitor e fascina o público por seu espírito arrojado e pela sua coragem indômita ao relatar as suas aventuras pelo mundo a fora. Na verdade, o que o grande navegador busca em suas viagens pelo desconhecido não é só aventura, mas, sobretudo, liberdade e vitória interior. Em tempos de tecnologia digital (traduz-se aqui Internet), navegar não significa mais velejar, mas sim andar pela rede, ou melhor, informatizar-se. Diferente das épocas anteriores, hoje, navegamos é pela Internet. A Internet veio mesmo para arrasar. Produto do avanço da modernidade e da tecnologia, ela nos tem possibilitado um maior contato com o mundo, uma vez que já podemos conversar com qualquer pessoa, de qualquer lugar, em tempo real. Também tem nos permitido o acesso a milhares de informações que antes jamais tínhamos imaginado. As relações com o comércio também se modificaram. Hoje, podemos consumir com mais liberdade de escolha, pois temos todo um mercado de vendas na telinha do computador - é o mundo high-tech, é o mundo digital. Que pena que a vida real seja bem diferente daquela vista por uma telinha de dezessete polegadas. Ao mesmo tempo que a rede internacional de computadores nos possibilitou esse maior contato com o mundo, ela também tem nos oprimido e nos escravizado. Esse universo que parece ser tão grande, fica tão pequeno com as estatísticas: só 0,5% da população tem acesso à rede; isso significa em torno de 100 milhões de pessoas. Mais de 80% dos Estados Unidos estão conectados, movendo mais de oito milhões de dólares anuais. Esses dados são realmente desastrosos, pois reforçam as diferenças entre os homens, promovendo a exclusão. A palavra liberdade ganha um novo sentido: significa agora dependência, servidão. Até parece que voltamos à idade Média, à medida que reforçamos os nossos laços de vassalagem de compra e venda. É o apartheid social gerado na África, para ser cultivado pelas civilizações modernas. A Internet representa a vitória do mundo moderno, a vitória dos japoneses, a vitória dos americanos, enfim o mundo capitalista triunfou. Contudo precisamos nos perguntar, será que tudo isso vale a pena? Será que devemos nos entregar ao lirismo comedido das grandes empresas multinacionais que publicam coloridos e criativos anúncios na Internet, fazendo nos despertar para o mundo do consumo? Creio que não. Concordo com Manuel Bandeira que, em 1922, já dizia estar cansado desse lirismo, do lirismo que não fosse libertação. Que mundo é esse, meu Deus?
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Kimieck
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