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Excluídos, mais excluídos e nós No ano passado, numa conferência em San Diego, na Califórnia, sobre educação continuada, foi distribuída uma folha de informação, sem atribuição de autoria ou fonte, cuja intenção era, sem dúvida, provocar reflexão entre os participantes. Não sei se o seu conteúdo já apareceu ou não em algum lugar no Brasil, mas acho importante sua ampla disseminação como forma de criar, em nossas mentes, um contexto dentro do qual possamos pensar sobre questões de excluídos sociais, divisão digital e eqüidade. A folha afirma: "Se pudéssemos encolher a população da Terra para o tamanho de uma aldeia de exatamente 100 pessoas, mantendo iguais todas as proporções humanas hoje existentes, a configuração dessa aldeia seria assim: - haveria 57 asiáticos, 21 europeus, 14 do hemisfério ocidental (norte e sul) e 8 africanos; - 51 seriam mulheres, 49 homens; - 70 seriam não brancos, 30 brancos; - 70 seriam não-cristãos, 30 cristãos; - 89 seriam heterossexuais, 11 homossexuais; - 59% da riqueza da aldeia estaria nas mãos de apenas 6 pessoas e todas ela seriam moradores do bairro chamado "Estados Unidos da América"; - 80 estariam vivendo em moradias inadequadas; - 70 seriam analfabetos; - 50 estariam sub-nutridos; - 1 estaria perto da morte, 1 perto de nascer; - 1 teria completado um curso superior; - e ninguém teria um computador. Quando consideramos o nosso mundo dessa perspectiva compactuada, a necessidade de tolerância, compreensão e educação fica cada vez mais evidente". O perigo que corremos ao refletir sobre esse contexto social chocante, por mais impreciso e generalizado que seja, é partir para a racionalização e o egoísmo: "Se o mundo é assim, vou cuidar do meu jardim e que se danem os outros. O problema é tão gigantesco que os meus esforços em nada ajudarão para criar um mundo melhor e mais justo". Mas sabemos que essa atitude só teria o efeito de manter essa situação, que a longo prazo poderia ter conseqüências desastrosas para todos os seres humanos no planeta. Além de legislar contra os excessos eventuais daqueles que detêm o poder, é necessário preparar novas gerações com um espírito fraternal, um senso de responsabilidade social. Deve fazer parte de cada programa educacional, seja do ensino fundamental, médio, universitário ou continuado de adultos, alguma atividade prática em prol dos excluídos sociais, daqueles com pouco acesso aos benefícios que o mundo moderno disponibiliza àqueles que, pela sorte, nasceram em comunidades privilegiadas.
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