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Contradição marca política de alfabetização A questão do analfabetismo de jovens e adultos mostra uma das principais contradições da política do governo Fernando Henrique Cardoso na área social. Pelo lado do Ministério da Educação, o governo teve altos e baixos - em geral, mais baixos do que altos. Como destaque, há a nova orientação curricular para esse tipo de ensino, produzida pela organização não-governamental Ação Educativa. Mas o Fundef - o fundo que redistribui os recursos da educação, priorizando dinheiro para o ensino fundamental, o chamado fundão - foi uma catástrofe para a educação de jovens e adultos. Acabou com alguns programas e enxugou outros. Este ano - após quatro ou cinco de abandono - o ministro Paulo Renato Souza está admitindo que projetos de ensino fundamental voltados a jovens e adultos recebam recursos do Fundef. Mas faz tempo que não aparece dinheiro novo para a área. Enquanto isso, a primeira-dama, Ruth Cardoso, criou o Alfabetização Solidária, um bom modelo de alfabetização de jovens e adultos, mantido por uma rede de parcerias e recursos dos setores público e privado. É, em síntese, uma proposta bastante consistente de estruturação de políticas sociais, na qual o Estado desempenha o papel de articulador de alianças e parcerias. O problema é que o Alfabetização Solidária não está articulado às políticas do Ministério da Educação. Pelo contrário, está à margem das políticas educacionais. Ou seja, de um lado, falta política para a educação de jovens e adultos. De outro, há um modelo que não conseguiu virar política pública. O fato de ocorrer uma reunião do governo sobre alfabetização de jovens e adultos, no Rio, reunindo Alfabetização Solidária e Ministério da Educação, é muito importante. A esperança é que o governo federal consiga finalmente resolver essa contradição.
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