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O risco Enem O Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) é uma das boas idéias que surgiram nos últimos anos na área de vestibulares. Mas ainda não dá para dizer se vai "pegar" ou não. Por enquanto, o Enem só sobrevive porque ele faz parte da política atual do Ministério da Educação, de dar ênfase às avaliações educacionais (basta ver o crescimento que o Inep teve nos últimos seis anos). Mas a continuidade do Enem após a saída de Paulo Renato Souza do MEC depende de uma série de questões. Primeiro, deve ficar claro que o Enem não é uma avaliação do ensino médio, ou seja, não é uma avaliação que, como o Provão, pretende gerar informação para o estabelecimento de políticas educacionais. O Enem é uma avaliação individual. Os resultados médios do Enem não correspondem ao desempenho do conjunto dos estudantes concluintes do ensino médio. Isso porque só
quem quer cursar uma universidade é que hoje tem interesse em fazer
o Enem. E este já é um público muito selecionado,
uma elite. A cobrança de uma taxa de inscrição também
tende a selecionar uma população com mais poder aquisitivo. Com isso, o MEC estaria oferecendo ao ensino superior de todo o país e, inclusive, ao mercado de trabalho, um exame unificado, com uma metodologia moderna, para seleção de candidatos a vagas de estudo ou trabalho. O problema é se a qualidade e abrangência propostas pelo MEC para essa avaliação vão se confirmar. Por enquanto, o Enem ainda pode melhorar bastante como exame, além disso, está atingindo pouca gente e é usado por um número reduzido de faculdades. Enfim, a idéia de ter um exame moderno, que avalia o que a pessoa aprendeu a fazer no ensino básico, com cobertura nacional e aceitação pelo conjunto das faculdades, inclusive pelo mercado de trabalho, é uma idéia muito boa. Mas, até agora, isso é mais uma proposta bonita do que uma realidade. PS- Antônio Gois, em sua coluna aqui no Aprendiz, semana passada, defendeu cotas para estudantes de escolas públicas - ou desfavorecidos economicamente - nas universidades. Em coluna anterior, defendi que a universidade pública - de ensino, pesquisa e extensão - deve selecionar seus membros com base no mérito acadêmico. Para a universidade de pesquisa, a melhoria da situação sócio-econômica da população é um fim, não um meio. Góis argumenta que nos EUA as cotas foram implantadas com sucesso. Mais ou menos. O que se vê é que a chamada "ação afirmativa", que privilegia estratos sociais desfavorecidos, em alguns casos realmente favorece a inclusão social. Mas em outros locais, as cotas geram minorias, grupos isolados, que não se integram à instituição. E muitos acabam abandonando. A universidade pública brasileira, dado o investimento que é feito nela, não pode ser vista meramente como uma instituição de ensino - como um "college" norte-americano. As universidades públicas brasileiras têm de ser centros de pesquisa e de produção - além de disseminação - de conhecimento. É claro que é necessário formular políticas públicas de inclusão no Brasil - temos 500 anos de atraso nessa área. E as universidades têm um papel central na criação dessas políticas. Mas não é regulamentando a seleção dos membros da Academia brasileira que se vai avançar nesse sentido. Leia a coluna de Antônio Góis "Em defesa das cotas"
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