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Aluno de escola pública assiste TV e ouve pagode Uma pesquisa financiada pelo Conselho Municipal da Criança e do Adolescente de Guarulhos, na Grande São Paulo), comprova numericamente o que já virou discussão entre professores e especialistas em educação: se o sistema público de ensino tivesse qualidade, poderia mudar o perfil desta geração de alunos pobres que agora está na escola. A pesquisa, chamada Mapa da Criança e do Adolescente de Guarulhos, traça um raio x da qualidade de vida das famílias do segundo município mais populoso de São Paulo. Uma das conclusões da pesquisa é que a miséria em Guarulhos é tanta que famílias em que a mãe trabalha como empregada doméstica, o pai é operário e os filhos menores de 15 anos estão na escola são "privilegiadas". Essas famílias (62% do total) desfrutam do que a pesquisa considera "qualidade média de vida". Isso apesar de alguns dos domicílios (15%) onde vivem essas famílias estarem localizados em favelas. Os indicadores da pesquisa (feita a partir da contagem populacional de 96 do IBGE) foram estipulados a partir de quatro indicadores: moradia, escolaridade do chefe da família, origem (70% da população de Guarulhos é composta por migrantes) e idade dos filhos. Aplicados esses critérios, surgiram os três grupos (qualidade alta, média e baixa de vida). Para conhecer como vivem essas famílias, foram aplicados questionários em 550 domicílios representantes de cada um dos grupos. É como se fosse um censo de costumes, baseado em como vive a maioria da população do município, que é pobre. A pesquisa mostra que a maioria das crianças e adolescentes (92,6%) que desfrutam de qualidade média de vida não tem condições de fazer um curso extra, como inglês, computação ou esporte. Além do ambiente cultural dessas crianças ser limitado (não se tem notícia de nenhuma atividade cultural intensa em bairros pobres de Guarulhos), as mães estudaram, em média, 5.9 anos. Ou seja: não terminaram nem o ensino fundamental. A escola pública (onde estudam 90,5% das crianças entre zero e 17 anos) seria a válvula de escape de bairros sem grandes oportunidades culturais que abrigam famílias com pouca escolaridade. Quando a pesquisa exclui as crianças em idade de creche (até os 4), a presença desses alunos na escola pública sobe para 100%. O mais importante é que 89,4% dos alunos dizem gostar da escola. Quando a pesquisa entra nas preferências culturais desses adolescentes, fica claro que o ensino público não consegue ir além da formalidade da sala de aula: apenas 4% das crianças já foram ao teatro, 15,3% ao cinema e 7,6% a shows. A maioria (94,5%) assiste apenas aos filmes e programas de auditório das emissoras comerciais de televisão. Quase todos (91,2%) gostam de ouvir música, mas só têm acesso a samba, pagode e axé. Para completar, 14% da população a partir de 12 anos trabalha. A metade, segundo as mães, tem acesso a drogas, cigarro e álcool. Em agosto, 28% da população de adolescentes infratores de Guarulhos, internada na Febem, era reincidente. A pergunta é porque grupos políticos poderosos, ao invés de insistirem em campanhas em prol da redução da maioridade penal, não se unem para mobilizar a sociedade em prol da qualidade nas escolas públicas. |
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