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Alunos de universidades privadas arrumam emprego mais fácil Em todas as avaliações
do ensino superior já realizadas pelo Ministério da Educação,
as universidades públicas têm se saído melhor que
as privadas. Então, os alunos que se formam nelas devem se dar
melhor no mercado de trabalho. Certo ou errado? Errado. De um total de 13 cursos avaliados em 1999, em 9 deles, incluindo administração, economia, odontologia e todas as engenharias, os alunos de instituições privadas saem na frente na procura por emprego. Os alunos das federais vão melhor nos cursos de direito, jornalismo e medicina. Já os alunos das públicas estaduais vão melhor apenas em medicina veterinária. Os dados confirmam a principal vocação das universidades privadas: formar profissionais para o mercado de trabalho, enquanto nas universidades públicas o ensino está voltado mais para a formação de docentes e pesquisadores. Por que isso acontece? Cerca de 2/3 dos alunos de universidades privadas estudam à noite e trabalham durante o dia, inclusive para pagar a mensalidade. Os alunos de universidades públicas, em 80% dos casos, estudam de dia e sobrevivem da mesada dos pais, o que reforça o caráter elitista do ensino público de graduação. Pesquisador mineiro
diz que reforma do ensino médio privilegia a elite Segundo Oliveira, a reforma do MEC enfatiza a educação geral em detrimento da educação profissionalizante. Ele diz que a reforma toda do ensino médio está voltada para preparar os alunos ao ingresso na universidade, onde o setor privado já responde por 65% das vagas, enquanto no setor público só estudam 35% dos alunos, um seleto grupo que recebe boa educação desde o berço e consegue se sobressair. No balanço de quem ganha e quem perde com a política do ensino médio e profissional no Brasil, Oliveira diz que a reforma do MEC vai aumentar a distância e as chances de uma adequada integração dos jovens com o mercado de trabalho, principalmente os de baixa renda, que na maioria dos casos não chega a concluir o ensino superior. Para Oliveira, ao tratar igualmente os desiguais, o Ministério da Educação está tornando a competição para entrada nas universidades públicas e gratuitas mais suave aos seus maiores beneficiários: os filhos da elite. Oliveira faz ainda críticas fundamentadas aos programas de avaliação seriada criados por universidades públicas federais como critério de seleção para ingresso em cursos de nível superior. Ele ataca também a proposta de substituir o vestibular pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A reserva de quotas para alunos do ensino médio que forem fazendo os testes de forma progressiva, bem como o uso dos resultados do Enem, asseguram sempre a seleção dos melhores alunos, obviamente excluindo os mais pobres, garante. Na UnB (Universidade de Brasília), por exemplo, cerca de dois terços dos alunos selecionados por meio do Programa de Avaliação Seriada, um dos pioneiros desse tipo, são oriundos de escolas privadas. É um contra-senso. Em Brasília, os concluintes do ensino médio de escolas privadas representam menos de 20% do total. Também no Exame Nacional do Ensino Médio, os alunos de escolas privadas alcançam média superior à dos alunos de escolas públicas e são os maiores beneficiados quando a nota do exame conta pontos nos processos de seleção, como nos casos da USP, Unicamp e Unesp, as três universidades mantidas pelo governo de São Paulo, que concentram metade da pesquisa acadêmica feita no País. PS: Faça download dos arquivos com a pesquisa sobre os graduandos e o mercado de trabalho e o estudo de João Batista Araújo e Oliveira.
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