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Nenhuma máquina de ensinar substitui um competente professor No próximo dia 19, o presidente Fernando Henrique Cardoso vai a Sinop (MT) lançar um programa que deverá equipar com computadores todas as escolas de ensino médio num prazo de dois anos. O computadores serão adquiridos com R$ 500 milhões oriundos do Fust - Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações. O dinheiro que mantém o Fust é proveniente da cobrança de uma taxa de 1% sobre o faturamento das empresas de telefonia. Serão beneficiados mais de 7 milhões de estudantes. Até aí nada de novo. O problema é que a maioria dos professores não está preparada para ensinar com as novas tecnologias. Não tenha dúvidas: o aluno irá para a escola sabendo de informática mais do que o professor. Há dois anos, o Consed (Conselho Nacional dos Secretários Estaduais de Educação) lançou um programa para vender computadores aos professores com juros de 1% ao mês, bancado pelo Fat (Fundo de Amparo ao Trabalhador). De lá para cá, só 60 mil dos 2 milhões de professores de ensino fundamental e médio optaram pelo financiamento para adquirir as máquinas. A prestação ficou salgada para os padrões salariais dos professores brasileiros. O financiamento de um computador de R$ 1.200,00, comprometeria, em média, de 10% a 20% do seu salário mensal, durante dois anos. Na Inglaterra, o governo trabalhista bancou um programa que vende computador aos professores pela metade do preço. Mas nenhum iluminado de Brasília teve idéia semelhante. O governo brasileiro promete disponibilizar para a indústria uma tecnologia desenvolvida por cientistas da Universidade Federal de Minas Gerais. A invenção mineira permitirá fabricar computadores que chegarão ao mercado custando entre R$ 400,00 e R$ 500,00. Mais barato, impossível. Só que os primeiros computadores a saírem de fábrica devem demorar de seis meses a um ano. E ninguém garante que os professores serão os primeiros da fila ou que terão tratamento privilegiado. O acesso ao computador, contudo, é uma preocupação menor diante do imenso desafio que é a formação dos professores. Não adianta encher as salas de computadores se a maioria dos docentes não domina a linguagem das máquinas, se não é capaz de decifrar o funcionamento dos softwares. Antes de informatizar as escolas, as secretarias e o Ministério da Educação deveriam se preocupar em dar cursos de formação para os professores, preparando-os adequadamente para enfrentar a nova realidade. Parece que o governo está mais interessado em aumentar o público potencial da Internet e o consumo de equipamentos de informática do que em treinar os professores para melhorar a qualidade do ensino. Computador na sala de aula só dá resultado se estiver inserido na proposta pedagógica da escola. Se o professor souber tirar proveito do equipamento para elevar o nível de suas aulas. Entre uma sala de aula sem computador e outra com computador, é claro que a segunda é sempre preferível. Trata-se de uma motivação a mais para "prender" (no bom sentido) o aluno na escola. Entretanto, sem uma formação adequada dos professores, o computador pode se transformar num instrumento de dispersão, atrapalhando em vez de ajudar. Os próprios alunos podem se sentir "superiores", perdendo o tesão pelas aulas. A urgência mais urgentíssima da educação brasileira, hoje, é investir na capacitação de professores. Pelo que consta, até agora ninguém inventou uma máquina de transmitir conhecimentos mais eficaz que um competente professor. |
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