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Pela obrigatoriedade da educação física no currículo escolar País pobre, mas com tradição olímpica, Cuba está dando uma lição esportiva e política ao Brasil: adotou 10 alunos brasileiros em sua Escola Internacional de Educação Física, que funciona nas proximidades de Havana. São garotos brasileiros provenientes de famílias pobres, que foram para lá estudar de graça, durante cinco anos, com direito à bolsa de 100 pesos do governo cubano. O governo brasileiro, por meio do extinto Indesp, patrocinou apenas as despesas com a viagem de ida e volta - dizem agora que, com o fim do Indesp, a passagem de volta não está mais garantida, já que a prioridade do ministro Carlos Melles, do PFL mineiro, é reservar os recursos da pasta exclusivamente para emendas de parlamentares aliados. Em seu tradicional
discurso de recepção aos atletas cubanos que regressam das
Olimpíadas, Fidel Castro disse este ano que a "universidade
do esporte" foi criada para ajudar "nossos irmãos africanos,
latino-americanos e dos demais países do terceiro mundo".
Sem base, esporte
brasileiro não vai longe A LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) diz em seu artigo 26 que "a educação física, integrada à proposta pedagógica da escola, é componente curricular da educação básica, ajustando-se às faixas etárias e às condições da população escolar, sendo facultativa nos cursos noturnos". Acontece que esse capítulo da LDB permite interpretação dúbia - aliás, como quase toda a legislação educacional que emana do MEC e do CNE (Conselho Nacional de Educação). A LDB também não considera obrigatória a existência de quadras de esportes nas escolas. Nem o MEC interpreta direito a lei. O ministro Paulo Renato Souza distribuiu nota à imprensa dizendo que a disciplina é obrigatória, segundo o artigo 26 da LDB, para as oito séries do ensino fundamental. Se fosse obrigatória, conforme determina, mas não determina esse artigo, não seria somente para o ensino fundamental, mas para toda a educação básica. E a educação básica, de acordo com a LDB, envolve três níveis de ensino: educação infantil, ensino fundamental e médio. A verdade verdadeira é que os educadores não levam a sério a educação física. Torcem o nariz sempre que alguém defende mais atenção à disciplina. Nem mesmo nossos esportistas perceberam sua importância para o desenvolvimento do esporte nacional. Quando a LDB foi aprovada, Pelé ocupava o Ministério do Esporte e Turismo. Mas esqueceu de fazer lobby para que a lei fosse mais explícita sobre a inclusão da educação física no currículo escolar. A disciplina anda esquecida inclusive nas políticas oficiais do Ministério da Educação. As escolas rurais construídas e reformadas com apoio do Fundescola, programa do MEC, com financiamento do Banco Mundial, que prevê a aplicação de 1,3 bilhão de dólares para melhorar a qualidade da educação nas regiões norte, nordeste e centro-oeste, não possuem quadras de esportes. As escolas são destinadas a filhos de agricultores, sem-terra, índios e a populações remanescentes de quilombos. Já as escolas urbanas que terão patrocínio do programa, todas elas serão dotadas de quadras esportivas, o que não deixa de ser uma discriminação com as crianças que estudam e vivem no campo. Sem um trabalho de base, o sucesso do País nas Olimpíadas e em outras competições esportivas internacionais depende única e exclusivamente do talento individual de alguns atletas. Atletas que seriam campeões independente da sua origem e nacionalidade. Brasil tem 150 mil escolas sem quadras de esporte e sem professores de educação física O País tem 155 mil escolas sem sala de aula adequada para a prática esportiva, ou seja, sem quadras de esportes. Nestas escolas, não há professores habilitados a lecionar educação física. Das 183 mil escolas de ensino fundamental, apenas 18% estão equipadas com quadras de esportes. Das 18 mil escolas de ensino médio, 72% têm espaço para a prática de esportes. O quadro é mais grave, de acordo com levantamento feito pelo Ministério da Educação, nas escolas públicas municipais: apenas 7% possuem quadras de esportes. Mesmo nas escolas que possuem quadras de esporte, as atividades de educação física são vistas como um momento de recreação e não de aprendizado. Enquanto a educação física não for uma prática bem feita, valorizada e organizada na escola, o sonho olímpico vai continuar sendo um grande pesadelo. Por isso, acho que deveríamos iniciar já uma campanha nacional pela inclusão obrigatória da educação física no currículo escolar e pela construção de quadras de esportes em todos os estabelecimentos de ensino, sejam de educação infantil, ensino fundamental e médio, sem distinção entre escolas urbanas e rurais.. |
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