|
||||||||||||||||||||||||||||||||
|
Educação é o maior problema do Brasil A educação é o maior problema brasileiro, segundo pesquisa feita com 162 formadores de opinião e que será apresentada hoje (10 de agosto) no primeiro dia do Encontro Ano 2000, seminário que até o dia 13 discutirá a agenda de desenvolvimento humano e sustentável para o Brasil do século XXI. O evento, promovido pelo Instituto de Política, com apoio do BNDES, do Pnud e da Unesco, entre outras entidades, será realizado no hotel Nacional, em Brasília. A pesquisa feita pela Cia de Notícias, com o apoio do Pnud, foi realizada entre os dias 10 e 31 de julho e servirá de base para os debates. Os problemas decorrentes da falta de investimentos na educação, da baixa qualidade das escolas e universidades assim como da qualificação e remuneração dos docentes foram apontados por 67,3% dos entrevistados como o maior desafio nacional. Em segundo lugar na preocupação dos formadores de opinião vem a saúde, indicada por 56,2% dos entrevistados. Eles criticaram o baixo investimento no setor, a desigualdade das condições de acesso, a precariedade do sistema de atendimento (equipamentos) e das condições de trabalho e a baixa remuneração dos profissionais. A injustiça e a desigualdade social foram apontadas por 43,2% dos entrevistados, ficando em terceiro lugar na ordem dos problemas nacionais. Os entrevistados citaram a ausência de políticas sociais e de assistência, de geração de empregos e absorção de mão-de-obra não qualificada, e a desigualdade na distribuição da renda (impostos) como os maiores entraves para a diminuir o fosso que separa os mais ricos dos mais pobres. O quarto maior problema do Brasil é a segurança, para 38,3%. Os formadores de opinião que responderam à pesquisa qualitativa citaram a violência urbana, a falta de segurança generalizada, a desestruturação do sistema penitenciário e a não-adequação das penas, além da ausência de política de segurança pública preventiva e o aumento dos conflitos rurais como as principais questões a serem priorizadas pelos governantes nesta área. O quinto maior problema é o desemprego, indicado por 29,6%. Neste item, os entrevistados mencionaram a ausência de políticas de geração de emprego, o pouco envolvimento de entidades e da sociedade civil na solução desse caso e a falta de atenção à qualificação da mão-de-obra. O sexto maior problema nacional, na opinião de 12,3% dos entrevistados, é a habitação. O setor, de acordo com os resultados da pesquisa, sofre com a ausência de investimentos em moradias populares e com os altos custos do financiamento da construção. Os entrevistados não mostraram apenas os problemas, mas as soluções de curto, médio e longo prazos. Para a educação, por exemplo, foram relacionadas como soluções a curto prazo: priorizar a educação básica, erradicar o analfabetismo, promover a educação profissionalizante, melhorar a qualificação e a remuneração dos docentes e aumentar o número e qualidade das escolas e universidades. A médio e longo prazos, as soluções propostas foram aumentar os investimentos, integrar a Internet à educação e fortalecer o ensino superior. Os resultados dessa pesquisa colidem com a imagem que tem sido construída pelo governo, com a colaboração de parte da mídia, de que os problemas educacionais estão sendo superados nos últimos anos. Na realidade, o País tem feito esforços para superar o atraso de décadas e décadas de descaso - para não dizer de centenas de anos. Entretanto, o que tem sido feito ainda é pouco para darmos o salto de qualidade e quantidade necessários, a fim de que possamos atingir um novo estágio educacional, comparável às nações mais desenvolvidas. É bem possível que os resultados fossem outros se a pesquisa fosse feita num estrato mais representativo da sociedade. Se, em vez de ouvirmos apenas os formadores de opinião, tivéssemos consultado todas as classes sociais, as maiores preocupações seriam o desemprego e a violência. A educação apareceria atrás desses temas e, provavelmente, atrás da saúde. A pesquisa tem o mérito de chamar a atenção do governo e da sociedade para que a educação seja transformada, de fato, na prioridade maior do País. Esta é a verdadeira reforma a ser concretizada. Educação para todos, já! Neste momento em que o País se mobiliza para as eleições municipais, quando elegerá prefeitos e vereadores, seria prudente que todos ficássemos atentos à plataforma eleitoral dos candidatos, para votar naqueles que são efetivamente comprometidos com a educação. Daqui a dois anos, teremos eleições para escolha do futuro presidente da República, governadores, deputados e senadores. Muitos candidatos já estão fazendo campanha por antecipação. É bom ficarmos de olho neles! Quando foi eleito presidente dos Estados Unidos pela primeira vez, Bill Clinton usou um refrão que ficou famoso no mundo inteiro. "É a economia, estúpido!". E foi centrando sua campanha sobre a economia que venceu a eleição contra George Bush. Hoje, no Brasil, com a popularidade do presidente Fernando Henrique Cardoso em baixa, seus opositores concentram as baterias contra os valores morais do governo, atingido por escândalos de corrupção, e contra a política econômica. A bandeira deveria ser outra. Parafraseando o slogan de Clinton, a pesquisa feita pela Cia de Notícias manda um recado aos aspirantes a cargos majoritários (prefeito, governador e presidência): "É a educação, estúpidos!".
|
|
||||||||||||||||||||||||||||||