|
||||||||||||||||||||||||||||||||
|
Salvador tem o pior ensino fundamental das capitais
O ranking inédito
foi construído com base nas informações levantadas
pelo Censo Escolar de 1999 e leva em conta os dados de escolas públicas
e privadas. No outro extremo aparece
Porto Alegre, administrada pelo PT. A capital gaúcha tem o menor
percentual de alunos que abandonam a escola entre as capitais, 4,1%, seguida
de São Paulo, com 4,7%. A capital que registra o menor percentual
de alunos com atraso escolar é Curitiba, com 18,6%, seguida de
São Paulo (22,8%). Porto Alegre vem logo atrás com 24,4%. O uso do computador e o acesso à Internet, ferramentas essenciais para entender o mundo moderno, são baixos nas escolas de ensino fundamental das capitais. Em Rio Branco, no Acre, apenas 2,9% dos estabelecimentos de ensino estão conectados à rede, índice que varia para 3,6% em Teresina. Mesmo assim, o acesso à Internet é predominante nas escolas privadas. O primeiro lugar é
ocupado por Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, onde 48,3% das
escolas estão ligadas à Internet. Um fato curioso é
que Salvador (12,9%) tem mais escolas conectadas do que Porto Alegre (8,4%),
apesar de ficar bem atrás nos demais indicadores educacionais.
Mas isso se explica: os educadores ligados aos partidos de esquerda são reticentes quanto aos resultados do uso de novas tecnologias dentro da sala de aula, o que é, no mínimo, uma incoerência. Os dados levantados pelo Censo Escolar demonstram que nem mesmo com biblioteca as escolas das capitais estão bem equipadas. Há uma carência maior desse item nas escolas das regiões Norte e Nordeste. Em Rio Branco e em
Porto Velho, menos de um terço das escolas possuem bibliotecas.
As escolas mais bem equipadas são as de Belo Horizonte (95,2%)
e as de Porto Alegre (95,0%). Salvador é a pior do Nordeste. Somente
43,4% das suas escolas possuem livros em suas estantes. A qualificação
dos professores é outro fator que exerce grande influência
na aprendizagem dos alunos, mas que anda descuidada pelos prefeitos das
capitais brasileiras. A capital com o maior percentual de professores
de ensino fundamental com curso superior completo é Porto Alegre
(82,7%), seguida de Campo Grande (77,7%). Os destaques negativos ficam
para Boa Vista e Macapá. O ranking das capitais
que mais reprovam alunos é liderado por Teresina, onde 16,3% dos
alunos, em média, não logram sucesso ao final do ano letivo.
Em Maceió, a reprovação também é elevada,
de 15,3%. Os menores índices
de reprovação escolar pertencem à Belo Horizonte
(1,8%), Vitória (2,2%), Boa Vista (2,6%) e São Paulo (3,3%),
capitais que adotaram políticas de promoção automática.
Por sinal, é nessas capitais que se concentram as maiores taxas
de aprovação escolar. Ter o pior e o melhor
ensino fundamental não significa ter a pior e a melhor educação.
Outros indicadores educacionais e sociais devem ser analisados. As características
das redes de ensino exercem peso considerável. Os fatores regionais
também devem ser ponderados para efeito de comparabilidade, embora,
entre si, as capitais detenham característicasmais
homogêneas que as demais cidades do interior. Entretanto, mesmo
em cima da hora, os dados podem atiçar o debate sobre temas educacionais
entre os candidatos que disputam as eleições do próximo
dia 1º de outubro. O prefeito de Salvador, Antônio Imbassahy,
pode alegar que a maior parte das escolas de seu município é
mantida pelo governo estadual, o que é verdade, e que o ensino
fundamental não está inteiramente sob sua responsabilidade.
Na capital baiana,
18,1% dos alunos deste nível de ensino estudam na rede municipal,
66,9% na rede estadual e 15% na rede privada. Mas como o município
possui poucos alunos em sua rede de ensino, repassa parte dos 15% de recursos
do Fundef (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino
Fundamental e de Valorização do Magistério) para
o governo estadual. Isso acontece na maioria das capitais. Por conta disso,
centenas de prefeitos já entraram na Justiça para interromper
o repasse de recursos para os governos estaduais. Conclusão mais
do que óbvia: não importa de quem seja a responsabilidade
final, o fato é que os prefeitos têm a obrigação,
sim, de zelar pela educação na esfera municipal. Não
dá para transferir a responsabilidade para os outros, fingindo
desconhecer a realidade. O período eleitoral está chegando ao fim e, infelizmente, a sucessão nas capitais não tem discutido a educação com a profundidade e o respeito que ela merece na agenda do poder local. Clique aqui para fazer o download do arquivo com os indicadores de todas as capitais.
|
|
||||||||||||||||||||||||||||||