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Vantagens e desvantagens do ensino baseado em problemas Cresce a adesão dos cursos de medicina ao método de ensino baseado em problemas, o PBL (Problem Based Learning). Três novos cursos de medicina que começam a funcionar este ano adotam o novo método. São os cursos da Uniderp, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, da Faculdade de Medicina do Governo do Distrito Federal, em Brasília, e da Universidade Estadual de Santa Cruz, da Bahia. Inovadora, a experiência acadêmica teve início no Brasil na Faculdade de Medicina de Marília (SP) e na UEL (Universidade Estadual de Londrina), no Paraná. A Universidade Federal da Bahia e a PUC-PR também já aderiram ao novo método. Estudam optar ao PBL os cursos da Escola Paulista de Medicina e da PUC-SP. O PBL promove a interdisciplinaridade, concepção de ensino prevista na LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) e nas novas diretrizes e parâmetros curriculares da educação básica, e acaba com a dicotomia entre teoria e prática. Pelo novo método, o ensino é centrado no aluno, que deixa de ser um receptor passivo das informações transmitidas pelo professor. O PBL aboliu a aula, as disciplinas curriculares, o controle de presença e as tradicionais provas. O novo currículo é organizado por estudos de caso. A aquisição de conhecimentos se dá por meio do estudo individual dos alunos orientado por discussões de problemas realizadas num grupo tutorial. Os alunos são reunidos em grupos de oito a 10 integrantes - e não mais em turmas de até 100 alunos por sala - para estudo integrado de um determinado problema, como a gripe por exemplo. Eles aprendem tudo o que se refere à doença, os chamados sete passos. Outro dia da semana, eles participam de conferências e palestras. E no resto da semana têm tempo livre para ler livros, pesquisar na Internet, interagir com a comunidade e acompanhar, desde o primeiro semestre, o atendimento à saúde feito nos postos e hospitais públicos da cidade. Eles também podem fazer estágios em laboratórios e outros serviços para o desenvolvimento de habilidades. O ensino baseado em problemas é uma tendência internacional que vem substituindo o modelo clássico de ensinar medicina. É um método desenvolvido por canadenses e holandeses, implantado, por enquanto, em apenas 10% das 1.250 escolas médicas existentes em todo o mundo. Agora, tem suas vantagens e desvantagens. Primeiro vamos às vantagens: o PBL aumenta o senso de responsabilidade do estudante. Ele precisa ter vontade de estudar para aprender por conta própria. O novo método estimula a leitura, o emprego do raciocínio lógico e a discussão. Incita o estudante a investigar e a resolver problemas. Desenvolve a habilidade de se trabalhar em grupo. Permite o cruzamento de informações de diferentes disciplinas e especialidades. Sem falar que promove o conhecimento médico de forma mais contextualizada e não apenas o entendimento do fato isolado. Mas tem suas desvantagens. Mal acostumados desde o início de sua vida escolar a receber tudo de mão beijada dos professores, os alunos, em sua maioria, são adeptos da boa vida. Não sabem tomar a iniciativa. Preferem a acomodação. Como a cobrança diminui, eles aprendem menos. Recorrem a fontes de pesquisa duvidosas, principalmente às disponíveis na Internet, sem se preocupar com a origem e a qualidade das informações. Enganam os professores, copiando temas de páginas encontradas na rede para apresentar em forma de trabalhos escolares. O método recebe críticas por ser considerado muito superficial. Além disso, o conceito dos dois primeiros cursos de medicina que aderiram ao PBL caiu no último Exame Nacional de Cursos, o Provão. Os cursos da UEL e da Faculdade de Medicina de Marília foram rebaixados de A para B em 2000. Enfim, são questionamentos a mostrar que o método não está imune a críticas. Isso acontece num momento preocupante para a formação dos nossos médicos. A baixa qualidade dos cursos é apontada como um fator de risco para a saúde da população. Os erros médicos estão se tornando cada vez mais freqüentes no Brasil. É difícil encontrar alguma pessoa que não tenha conhecimento de algum caso envolvendo amigos, conhecidos ou familiares. Uma pesquisa da médica Deíla Barbosa Maia, de São Luís do Maranhão, divulgada pelo site NO., constatou um aumento de 483% no número de processos julgados pelo Conselho Federal de Medicina no período de 1988 a 1998. O erro mais comum é a negligência. No ano de 1998, 54 recursos deram entrada no Conselho Federal de Medicina. Dez anos mais tarde os recursos somaram 315. Dá a média de quase um recurso por dia. São números alarmantes, levando-se em conta que poucos casos são levados ao conhecimento dos Conselhos Regionais de Medicina e uma parcela menor ainda segue para análise do Conselho Federal. Segundo a pesquisadora, a formação deficiente é a maior causa do crescimento no número de erros médicos. Deíla diz que os médicos estão saindo das faculdades com uma formação ética e humanista deficiente e uma especialização precoce. A figura do médico generalista está desaparecendo. Outro fator é a má qualidade do relacionamento entre o médico e seus pacientes. A médica verificou que em 69,3% dos processos os médicos foram condenados. Mas a penalidade mais aplicada é a censura confidencial, presente em 39,5% dos casos. A seguir vem a censura pública (26,6%), a suspensão por 30 dias (22%) e a advertência confidencial (7%). Apenas 5,8% dos erros médicos foram punidos com a cassação. "As penalidades são anacrônicas e inadequadas. Além do mais, os processos ético-profissionais são todos sigilosos, sobrepondo-se ao interesse público", critica. Diante disso, deve-se
reconhecer que o ensino de medicina passa por uma crise que começa
desde a sua concepção, na forma de se ensinar, até
a sua prática, a relação do médico com as
pessoas que estão sob seus cuidados. Não tem nada a ver
com o ensino baseado em problemas. Mas a vida humana merece um pouco mais
de carinho, respeito e atenção. |
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