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Passou meio que desapercebida
da grande imprensa uma medida de inestimável valor anunciada dias
atrás pelo coordenador da equipe de transição e futuro
ministro da Fazenda, Antônio Palocci: a de estabelecer um comando
unificado para os diferentes programas sociais, especialmente os de distribuição
de renda, existentes em vários órgãos do governo
federal. Benza Deus que ele
esteja certo, pois, se isso for verdadeiro, poderemos estar dando o primeiro
passo para erradicar o clientelismo político que viceja na Esplanada
dos Ministérios e, ao mesmo tempo, melhorar - de forma substancial
- a qualidade dos gastos públicos. O programa, denominado
Fome Zero, distribuirá cupons de alimentação para
famílias de baixa renda, mas tem um objetivo ainda mais audacioso:
reduzir o preço dos alimentos e fazê-los chegar à
mesa de todos os brasileiros das regiões mais carentes e longínquas
do País. Em artigo escrito
aqui no Aprendiz, em junho deste ano ("Gastos sociais não
reduzem a pobreza"), comentei entrevista dada pelo economista Ricardo
Paes de Barros, do Ipea, na qual ele afirmava que o Brasil, apesar de
investir R$ 150 bilhões anuais em programas sociais, tem sido incapaz
de diminuir a pobreza e as disparidades de classes. A razão do
fracasso das políticas sociais de combate à pobreza e à
desigualdade social é que elas são mal focalizadas. Chocam-se
entre si. Sem considerar que todas elas fogem à designação
e às atribuições a rigor conferidas aos ministérios,
que é de executar políticas públicas amplas, eficazes
e perenes - e não políticas de cunho assistencialista. Antes, porém, de centralizar o controle desses programas no Ministério de Assistência e Promoção Social ou onde quer que seja, o presidente Lula terá de convencer os futuros ministros da área social que os tempos são outros. Que não haverá espaço para práticas clientelistas em seu governo. Pois, se a decisão de unificar o comando desses programas não for tomada logo de cara, no ato da posse, passados alguns meses ministro algum vai resistir à tentação de manter tudo como está. Aí, mudar as regras do jogo será uma desgastante e tremenda batalha.
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