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"O desafio é enorme... encaro a idéia como uma tentativa de ajudar a responder à profunda crise que atravessa a universidade resgatando os seus valores mais essenciais, mas sob um novo formato institucional transparente e negociado por representantes de toda a comunidade... Não é a democracia grega, mas pode ser uma nova forma de democratizar a sociedade contemporânea... O tema é o surgimento de novas formas de organização no âmbito da economia do conhecimento..." Assim seguia o texto, publicado no Aprendiz há uns dois anos, falando sobre comunidades de conhecimento, ou seja, espaços públicos onde se produz conhecimento coletivamente e apontando para a internet e, de modo geral, para as redes como suportes de uma nova era de criatividade empresarial, institucional e política. Dois anos depois, o projeto está consolidado e ampliando seu alcance, inovando na busca de práticas pedagógicas emancipadoras e até libertárias, envolvendo setor público, setor privado e terceiro setor. O foco nas redes educacionais, que foi o ponto de partida da Cidade do Conhecimento, materializa-se no programa Educar na Sociedade da Informação. É um curso de extensão? O programa inclui aulas, mas o principal objetivo é promover o surgimento de comunidades de prática, ou seja, de redes de relacionamento entre educadores e outros profissionais do ensino médio e fundamental. Trata-se de um novo espaço, público e gratuito, para produzir e acessar conteúdos de alta qualidade em parceria com profissionais da USP e de outras comunidades da Cidade do Conhecimento. Mas, afinal, qual a diferença entre criar redes e fazer sites na internet? Construir comunidades virtuais e mantê-las ativas, dinâmicas e vivas não é trivial. É um desafio muito mais complexo do que fazer sites bonitos ou cheios de conteúdo. A diferença está no uso de tecnologias que ajudam as pessoas a se comunicar para produzir conhecimento cooperativamente. Exemplos dessas ferramentas: softwares de publicação descentralizada, fóruns de discussão, projetos que colocam em rede não apenas os professores mas também seus alunos. Em 2003, o Educar terá uma espécie de "bazar" com ferramentas interativas para que todos possam criar ou participar de projetos de formação de redes e comunidades em temas de seu interesse. O objetivo estratégico e de longo prazo é não apenas tornar ainda mais dinâmica a atividade puramente virtual, sem abrir mão dos encontros presenciais (aulas, visitas, encontros) mas dar oportunidades para que os participantes sejam co-autores na elaboração contínua de novos conteúdos. Os módulos terão turmas sucessivas que participarão de ciclos presenciais de dois meses, com quatro aulas cada. A partir daí, cada turma vai construir sua própria rede e desenvolver projetos colaborando entre si, com professores orientadores e tutores. O acesso a todos os conteúdos continuará livre e gratuito, mas esses conteúdos também serão continuamente transformados pela ação dos professores e alunos. A transposição de conteúdos do nosso acervo digital para o que estamos chamando de "percursos" pela Cidade será um dos projetos cooperativos em 2003. Já estão publicados conteúdos de 17 módulos temáticos desde 2001. Ao longo de 2003 está acontecendo uma "fertilização
cruzada" entre os vários projetos da Cidade do Conhecimento
e do Educar. Ou seja, o professor que está no Educar começa
começará a elaborar projetos com seus alunos, mas também
buscando parcerias em telecentros e infocentros associados ao programa
Gestão de Mídias Digitais, sem esquecer da possibilidade
de projetos associando participantes de módulos diferentes do Educar
(por exemplo, orientação profissional e avaliação
de tendências na economia mundial ou projetos de Essa fertilização cruzada entre projetos da Cidade do Conhecimento é o que caracteriza a organização cooperativa em rede, amplificando as oportunidades de apoio entre todos os participantes. INSCRIÇÕES ABERTAS - www.cidade.usp.br O programa Educar na Sociedade da Informação abre inscrições para o seu terceiro ano de funcionamento. Até o dia 24 de agosto, professores, diretores, coordenadores pedagógicos e outros profissionais atuantes no Ensino Médio ou em programas educacionais de Organizações Não-Governamentais, empresas privadas e do setor público podem se inscrever pelo site da Cidade do Conhecimento da USP (www.cidade.usp.br/educar2003) ou pelo telefone (11)3091-4305. O segundo grupo de módulos deste ano oferece seis temas: "Mídias Interativas e Práticas Pedagógicas", "Orientação Profissional: Metodologias e Técnicas", "A Leitura na era Digital", "O Ensino de Geografia: natureza, tecnologia e política", "São Paulo 450 Nós - Redes, Nexos e Cidadania", "Educação Ambiental: da teoria à prática". Cada módulo será realizado em quatro sessões presenciais quinzenais, ao longo das quais será estabelecida uma rede entre participantes, professores e tutores. Nos cinco meses subsequentes, essas comunidades desenharão projetos pedagógicos concretos, para aplicação em salas de aula e outros espaços educacionais, por meio de listas de discussão, blogs, chats, murais, novos encontros presenciais e do informativo mensal Educar em Tempo. Haverá uma seleção que será divulgada no dia 28 de agosto.
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