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Economia da informação está acima da crise na Web O fim da bolha especulativa na Bolsa Nasdaq e a onda de demissões nas empresas ligadas à Internet estão levando muitos executivos, banqueiros e consultores a uma crise existencial. É um mundo que desaba. As principais revistas de negócios e tecnologia do mundo estampam em suas capas pontos de interrogação, reportagens e análises sobre o futuro do mundo "e" (de e-mail a "e-conomy"). Mas é numa revista acadêmica que se pode encontrar alguns dos principais elementos para compreender as origens e avaliar as perspectivas da chamada "nova economia". Em sua edição de novembro do ano passado, o "Quarterly Journal of Economics" publicou uma extensa resenha, preparada pelo ex-economista-chefe do Banco Mundial Joseph E. Stiglitz, sobre as contribuições da economia da informação à teoria econômica do século 20. Que seja possível uma tal resenha, cobrindo todo o século 20 e, a rigor, recuando até o século 19, já é um sintoma de que a economia da informação é anterior e vai além da Internet. Boa notícia: revela que as relações entre informação e geração de riqueza são profundas e ocupam economistas há décadas. Notícia ruim: porque, se a questão é tão antiga, nada garante que não venham a ocorrer mudanças mais radicais na forma e nos meios pelos quais a informação se transforma em valor. Mudanças que sepultem empresas e empregos, planos de negócios e políticas públicas. A luz no horizonte, diz Stiglitz, surge porque a ortodoxia, o pensamento dominante nas escolas de economia, governos e empresas, passou décadas ora subestimando a questão da informação, ora acreditando que ela teria solução, como qualquer problema na economia, automática e inevitável por meio de mecanismos de mercado. Há custos para obter informação? Bastaria calculá-los, e os preços refletiriam os custos e a capacidade que consumidores e empresas têm de pagar por eles. Para Stiglitz, ao contrário, mesmo custos muito baixos de obtenção de informação podem ter amplas consequências que jogam por terra os modelos convencionais de funcionamento dos mercados. Sem intervenção governamental, diz o economista, perde-se em racionalidade. De modo geral, o pensamento econômico ortodoxo fixou sua atenção sobre o problema da escassez, concluindo que o sistema de preços é o melhor mecanismo para resolvê-lo. Stiglitz alerta para problemas de outra natureza, relativos à qualidade da informação e aos padrões de comportamento das pessoas e das empresas. Nos dois casos, não há mecanismos garantidos de ajuste. Em particular, perde o sentido recorrer à "mão invisível" como metáfora do funcionamento da economia. A descrição da concorrência passa a exigir outras metáforas e modelos. Um dos mais célebres foi cunhado pelo austríaco Joseph A. Schumpeter, no início do século: era a imagem da "destruição criadora". Outro heterodoxo, o inglês John M. Keynes, falava em "espíritos animais". Mas a principal conclusão de Stiglitz é mais radical. Já nem se trata de escolher uma metáfora, mas de mudar o foco e deixar em segundo plano conceitos como "mercado" e "empresa". No lugar dessas idéias,
surgem noções de vocação mais imediata e explicitamente
coletiva, principalmente a de "organização". A
questão agora é saber como as organizações
e a sociedade absorvem nova informação, aprendem e se adaptam
para criar, transmitir, absorver e usar conhecimento. |
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