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O que é bom para os EUA é bom para o Brasil As receitas da nova educação, os modelos da nova economia, as promessas de uma sociedade da informação fundada em redes de produção de conhecimento, tudo isso torna esse começo de milênio um momento especialmente promissor. Ao mesmo tempo, não dá para ignorar que a quase totalidade do que vemos e lemos por aí é mero lugar comum, puras banalidades, na melhor das hipóteses preceitos velhíssimos apresentados num cenário cibernético. Uma leitura que serve de antídoto para a avalanche pseudopedagógica dos tempos atuais, no entanto, são as memórias de Richard P. Feynman (1918-1988), físico que trabalhou em 1942 como líder do grupo de física teórica no Laboratório de Los Alamos, que desenvolvia o projeto da fissão nuclear. Feynman ganhou o Prêmio Nobel de Física. Feynman viveu um tempo no Brasil e escreveu um texto saborosíssimo sobre a experiência, cuja tradução acaba de ser publicada pela revista Parcerias Estratégicas, do Centro de Estudos Estratégicos do Ministério da Ciência e Tecnologia. É leitura indispensável. O artigo em questão faz parte do seu livro de memórias "Deve ser Brincadeira, Sr. Feynman!", publicado pela Editora Universidade de Brasília, em co-edição com a Imprensa Oficial do Estado de S. Paulo. O artigo pode ser lido na Internet (veja o link no final desse artigo), portanto não há muito a acrescentar nem faz sentido parafrasear o texto, mesmo porque nada se compara ao senso de humor de Feynman (que se especializou em tocar "frigideira" numa escola de samba de Copacabana no final dos anos 50). De todo modo, há um alerta crucial que merece registro e amplificação: para o grande cientista, o maior problema na época era a incapacidade de alunos e professores brasileiros distinguirem entre decoreba e autêntica curiosidade científica. Outra pérola: o Nobel de Física conta como, tendo aprendido português para trabalhar no Brasil, ficou surpreso ao chegar para um seminário na Acadêmia Brasileira de Ciências e ter de ouvir todos os palestrantes que lhe antecediam (tentar) fazer suas exposições em inglês. Com a palavra, Feynman: "Quando chegou a minha vez, levantei-me e disse: "Desculpem; eu não havia percebido que a língua oficial da Academia Brasileira de Ciências era inglês, e por isso não preparei minha palestra em inglês. Então, por favor, desculpem-me, mas terei de fazê-la em português". Daí eu li o texto, e todo mundo gostou muito. A próxima pessoa a se levantar diz: "Seguindo o exemplo do meu colega dos Estados Unidos, também farei minha apresentação em português." Trocando dados experimentais uma vez por semana, usando os serviços de radio-amadores, Feynman provocou algum alvoroço, no final de sua estada, ao criticar publicamente o sistema educacional brasileiro: "Daí eu disse: "O principal propósito da minha apresentação é provar aos senhores que não se está ensinando ciência alguma no Brasil!" Então eu digo que uma das primeiras coisas a me chocar quando cheguei ao Brasil foi ver garotos da escola elementar em livrarias, comprando livros de física. Havia tantas crianças aprendendo física no Brasil, começando muito mais cedo do que as crianças nos Estados Unidos, que era estranho que não houvesse muitos físicos no Brasil. Por que isso acontece? Há tantas crianças dando duro e não há resultado. Por fim, eu disse que não conseguia entender como alguém podia ser educado neste sistema de autopropagação, no qual as pessoas passam nas provas e ensinam os outros a passar nas provas, mas ninguém sabe nada."
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