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As elaborações em torno dessa visão, em que a língua é a base da economia, foram o eixo central da 3ª Conferência Internacional da Comunidade das Nações Ibero-Americanas sobre a Economia da Informação. Os documentos apresentados estão disponíveis no website da Cidade do Conhecimento, que organizou a Conferência com a Fundação Padre Anchieta e a Associação para a Promoção Cultural do Norte de Portugal (www.cidade.usp.br). Pode parecer exótico, mas essa realidade é o resultado mais importante dos últimos dez anos de introdução acelerada de tecnologias de informação e comunicação. O que fica acentuado com as novas mídias é o papel central do conteúdo que trafega pelas redes de informação, comunicação, produção de conhecimento e, portanto, de cultura. Com base nessa visão, fica evidente o absurdo que está sendo cometido no Brasil. No mundo todo o futuro da economia está sendo desenhado a partir de uma visão de convergência entre mídias (TV, rádio, jornais, internet etc.) e conteúdos (ciência, tecnologia, mas também cinema, teatro, crítica etc.). No Brasil, está tudo separado. Discute-se a tecnologia antes de examinar o marco regulatório e o sistema de políticas públicas (a Anatel, por exemplo, quer tocar sozinha a definição do padrão de TV digital). Ao mesmo tempo, o Ministério das Comunicações mantém sob o seu manto as cartas do jogo na regulamentação da radiodifusão. Ainda na sexta, uma liminar barrou a licitação de um programa federal de compra de computadores para milhares de escolas. Para o diretor da Faculdade de Comunicação da UnB, Murilo César Ramos, o país vive uma situação de caos nos setores mais importantes para o futuro da economia. Falta colocar num mesmo modelo as três pontas do processo de convergência: mídia, economia e conhecimento. Hoje essas três dimensões continuam sendo tratadas por órgãos e agências reguladoras que se sobrepõem e contradizem. Há poucos dias o presidente FHC deu o grito "exportar ou morrer". No campo da economia da informação, no entanto, estamos presenciando exatamente o mesmo tipo de desarticulação, conflito de interesses e ausência de um modelo ou projeto nacional que tantos autores já identificaram quando se discute a ausência de um modelo exportador. Com o agravante de que, ficando atrasados na articulação entre políticas para a mídia, para a educação e a economia, estaremos agravando as dificuldades que já se observam no campo das exportações. Há muitas formas de atacar concretamente esse problema. A educomunicação envolve outras mídias. Na semana passada, por exemplo, foi anunciada a formação de uma rede que pretende conectar quase 500 escolas da rede municipal por meio de um sistema de produção de rádio, coordenada por Ismar de Oliveira Soares, da Escola de Comunicações e Artes da USP. Na base da nova economia está a capacidade dos cidadãos de dominar o próprio sistema de comunicação. É usando bem a própria língua que se ampliam os mercados. Há mais coisas em comum entre o Vale do Silício e Hollywood do que supõe a velha economia. O site da nova cidade está em www.cidade.usp.br |
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