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Redemoinhos na USP Vertigens em espirais, ocos em que nos perdemos, atratores fatais, movimentos de naufrágio? Ou moinhos de redes, fábricas de conexões, espaço onde nos concentramos num foco, numa direção que vem de todas as direções? Olhando (e vivendo) a Internet, parece às vezes que estamos também diante de novos moinhos de vento quixotescos, redemoinhos conceituais que são redes-moinhos, monstros construídos por nossa própria imaginação, mas também por nossa própria vontade de poder. A euforia e a depressão que, num intervalo tão curto de tempo, tomaram conta dos mercados mundiais de tecnologia de informação e comunicação, com megaprivatizações aceleradas e surgimento de inovações em ritmo frenético, modelos de negócios puramente especulativos e fortunas feitas e desfeitas ao sabor dos ventos, tudo isso nos lembra também a voragem dos redemoinhos, o tempo dos cataclismas, sorvedouros de recursos que provocam gastos exagerados e sacrifícios. Mas o moinho é, também, engenho. Em nossa visão poética, queremos criar não UM redemoinho, mas UMA rede-moinho, um engenho produtor de redes. No engenho, há também um movimento circular, repetitivo, reiterativo, em torno de um foco, de um centro. Mas está escrito na Praça do Relógio, em torno da torre quixotesca que ocupa o centro da USP: "No mundo da cultura o centro está em toda parte". Como fazer desses centros - e neles - engenhos de trituração, moagem, refinamento da matéria-prima informação que colhemos em nosso dia-a-dia? O que é sumo, o que é bagaço? O que é doce, o que é bárbaro? O que constrói e civiliza, o que destrói e consome? A Cidade do Conhecimento, empreendimento quixotesco às avessas, quer ser um moinho de redes, promovendo essa multiplicação de centros de produção de conhecimento em rede. Cada moendeiro, numa escola, numa empresa, numa organização, é um moinho de conhecimento. Em vez do redemoinho de águas passadas, o desafio é construir coletiva e cooperativamente a rede do futuro. Esse texto é
o editorial da primeira edição do informativo "Redemoinhos",
publicada pelo Projeto Cidade do Conhecimento, do Instituto de Estudos
Avançados da USP.
Leia também, nessa primeira edição, o artigo "Paulo
Freire Digital". |
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