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Redes comunitárias podem criar nova sociedade civil Quanto mais cai a Nasdaq e menos confiança merecem os planos de negócios de empresas "dotcom" (Internet comercial), mais importância ganham as iniciativas ligadas à formação de redes comunitárias, sem fins lucrativos. Talvez não seja casual a realização, há duas semanas, do Primeiro Congresso Global de Redes Comunitárias, em Barcelona. Não se trata de imaginar que há uma separação radical entre essa informática comunitária e o mundo da Internet comercial. Ao contrário, para boa parte dos projetos comunitários, um dos objetivos centrais é vincular as comunidades aos mercados, principalmente lutando contra as formas de desemprego criadas pela exclusão digital. É verdade que a geração de emprego continua dependendo de fatores econômicos tão complexos quanto as políticas dos governos, as condições nos mercados, a disponibilidade de financiamento e a existência de infra-estrutura. Para essas questões, há respostas e receitas que só podem ser implementadas por Estados e organismos multilaterais. Ao mesmo tempo, a referência às comunidades locais torna-se cada vez mais freqüente. E surge a hipótese de que novas oportunidades de emprego podem surgir a partir da capacidade de organização da própria sociedade. Os mais céticos descartam esse tipo de alternativa numa época de megafusões que apenas concentram poder político, econômico e cultural. Mas essas novas formas estão ganhando espaço, e talvez ainda seja cedo para avaliar os benefícios da democratização. Fala-se numa "inteligência civil", conceito que pode ser uma versão da "inteligência competitiva" adotada pelos setores de estratégia das empresas. A questão é saber quem desempenha o papel da empresa ou do empreendedor no espaço das redes comunitárias. A resposta já clássica é a ONG. Essas entidades formam uma vanguarda e passam a ter impacto nos eventos promovidos pelos organismos multilaterais. Mas qual a legitimidade dessas organizações? Em que medida elas são capazes de simular representatividade por meio de sua capacidade de operar com as novas tecnologias de informação e por jogar tão bem o jogo da mídia e do espetáculo? Os principais centros de pesquisa do mundo começam a incorporar essas questões. Além do "e-commerce", fala-se agora em "e-development" (desenvolvimento eletrônico), tema que entrou na agenda do Media Lab, do MIT. O centro lançou em 18 de outubro o projeto "Digital Nations", coordenado por Nicholas Negroponte, Jeffrey Sachs, do Harvard Center for International Development, e Jose Maria Figueres, ex-presidente da Costa Rica. A "inteligência civil", assim como a inteligência competitiva das empresas, pode ajudar uma organização a refinar sua agenda, estabelecer alianças estratégicas com outras organizações, criar uma identidade e uma ou mais marcas de sucesso. Mobilizando cidadãos, empresas e governos, levanta recursos financeiros que viabilizam empregos. A partir daí, dependendo de sua força e pauta, essas organizações podem usar seu poder comunicacional para criar outras formas de pressão por mais emprego, por distribuição de renda ou por acesso democrático à informação e à educação. Para os otimistas, essa ação criaria, no longo prazo, sociedades menos perversas e o que talvez seja até mais decisivo: mercados consumidores mais amplos, densos e lucrativos. Links: |
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