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Você está por dentro da Declaração de Bávaro? Esse documento e a cúpula ministerial que lhe deu origem mereceram um desprezo praticamente unânime da mídia. Bávaro fica em Punta Cana, na República Dominicana. No final de janeiro, ministros da América Latina e do Caribe ali se reuniram para discutir o futuro da "sociedade do conhecimento" na América Latina. Seria mais uma reunião de burocratas, mas ela é um passo na preparação da Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação, que acontece em Genebra no final do ano, chegando ao final apenas em 2005, com outro evento, na Tunísia. O encontro é puxado pela União Internacional de Telecomunicações e pelas Nações Unidas. O alto patrocínio oficial conduz a verbas e a programas em organismos multilaterais para financiar e organizar a inclusão digital nos países mais pobres. Segundo a declaração final de Bávaro, "a sociedade da informação é um sistema econômico e social em que o conhecimento e a informação são fontes fundamentais de bem-estar e progresso". Ainda segundo esse documento, a transição rumo a uma sociedade da informação na América Latina deve ser conduzida pelos governos "em estreita coordenação com a empresa privada e a sociedade civil". Mas, ao menos no Brasil, mesmo depois do Fórum Social Mundial, a mobilização da sociedade civil para essa "estreita coordenação" tem sido quase nula. O mundo educacional está ainda mais distante desse desafio. Boa parte das escolas está atrás de pacotes de "e-learning" e educação a distância que reduzam custos. É uma parte do problema. Os problemas de gestão de redes digitais e de desenvolvimento de novas pedagogias ficam em segundo plano, se tanto. O documento faz ainda uma ressalva: o acesso às tecnologias de informação e comunicação deve estar respaldado no direito internacional, o que é difícil num contexto em que "alguns países são afetados por medidas unilaterais que criam obstáculos ao comércio internacional". Os Estados Unidos
e o Canadá se recusaram a apoiar esse alerta. Sem um envolvimento maior da sociedade civil, das instituições acadêmicas e educacionais e do meio empresarial, a cúpula mundial poderá ser menos um caminho rumo à sociedade do conhecimento e mais uma rede controlada pelos mais fortes e espertos.
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