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A polêmica em torno da Internet gratuita está a cada dia mais quente. Para quem acha que inteligência é sinônimo de comunicação e diálogo, parece evidente que as possibilidades de cada pessoa dependem dos meios de interação com os outros. E a Internet tornou-se rapidamente um dos meios mais poderosos para ampliar, ou seja, democratizar a multiplicação das inteligências. Quem oferece Internet gratuita tem, na prática, uma grande empresa bancando o jogo, em vários casos uma empresa do setor de telecomunicações cujo interesse é aumentar a taxa de utilização das suas linhas. Ou seja, o uso pode ser gratuito para alguns usuários, mas a conta está sendo paga por alguém (os usuários de telefone, por exemplo). Em tese, a concorrência entre os que cobram pelo serviço e os que oferecem Internet gratuita é predatória, não justa. A questão é saber até onde vai esse "por trás" de cada empreendimento, produto ou serviço. Cada participante no jogo desenha esse limite a seu critério. O novo ministro das Comunicações, o pedetista Miro Teixeira, assumiu a pasta prometendo Internet gratuita nas escolas. Também nesse caso, alguém está pagando por isso. Os recursos para o programa também saem das contas telefônicas. A situação é ainda mais complicada porque nesse terreno estão presentes a educação, as comunicações, a cultura. A televisão aberta também oferece gratuitamente seus produtos (paga-se apenas pelo aparelho de TV e pela energia elétrica). Mas está condicionada por um sistema de concessões e por regras de um mercado publicitário que também têm custos, repassados a consumidores e contribuintes. O futuro da educação e da cultura está em jogo na regulação da Internet e das tecnologias digitais. Mas o que está "por trás" dessas tecnologias? É assunto que não deveria ficar restrito aos órgãos que fazem a supervisão da concorrência nos mercados, pois envolve a Anatel e outros ministérios, como Cultura, Educação, Desenvolvimento. A situação atual é de fragmentação, não existe no país um programa ou políticas em que essas várias áreas estejam integradas. Em todo o mundo, surgiu na última década a percepção clara de que a sobrevivência econômica (a tal da "competitividade") depende da qualidade e diversidade das inteligências. É o que explica o sucesso de novas idéias de "capital", como capital intelectual, humano ou social. Há uma busca generalizada de modelos integradores, em que os governos organizam programas e políticas para induzir a cooperação entre as empresas e o sistema cultural. Essa é a nova definição de desenvolvimento. A inteligência,
como a Internet, não sai de graça. Mas ainda falta muito
debate para que se possa saber, no Brasil, quem vai pagar a conta.
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