|
|||||||||||||||||||
|
Empresas de todos os portes e de todos os quadrantes do país formaram uma força-tarefa contra a pobreza e a exclusão social. É o que mostram trabalhos divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (Gife). A área social está recebendo injeções constantes de recursos vindos exclusivamente da iniciativa privada que, surpreendentemente, trabalha em silêncio. Além de não usar as ações como estratégias de marketing, poucas utilizam incentivos fiscais. As empresas partiram de uma conclusão óbvia: o governo não tem condições de atender todas as necessidades das populações mais pobres. Nem que queira. E resolveram arregaçar as mangas. O estudo mais amplo, a Pesquisa Ação Social das Empresas, foi feito pela socióloga Anna Maria Medeiros Peliano e pela economista Nathalie Beghin, do Ipea. Vasculhou a atuação de 445 mil empreendimentos do Sudeste, 88 mil do Nordeste e 165 mil no Sul e chegou a uma conclusão absolutamente surpreendente: 67% das empresas da região Sudeste realizam algum tipo de ação em benefício das comunidades. No Nordeste, este percentual é de 55% e no Sul, de 46%. A atuação não se limita às grandes companhias, embora elas sejam a maioria. No Sudeste, 93% das companhias de grande porte e 61% das microempresas estão engajadas nesse mutirão nacional. No Nordeste, a participação é de 63% e 55%, respectivamente, e no Sul de 91% e 41%. As que preferem ficar de fora representam apenas 16% das empresas do Sudeste e 19% no Nordeste. Um percentual que sobe para 34% no Sul. Em 1998, as empresas do Sudeste aplicaram R$ 3,5 bilhões em ações sociais, o equivalente a 0,6% do PIB regional da época. Recursos que representaram aproximadamente 30% do gasto social da União na região, excluídas as despesas com a previdência social. Em 1999, as companhias do Nordeste gastaram R$ 260 milhões, 0,2% do PIB e o equivalente a 4% dos gastos governamentais. No Sul, o empresariado investiu R$ 320 milhões, 0,2% do PIB regional e 7% das despesas do governo na área. Já a pesquisa realizada pelo Gife com 48 de seus 57 associados mostra que as despesas com ações sociais cresceram 15,7% entre 1997 e 2000, passando de R$ 377 milhões para R$ 437 milhões. Os dois trabalhos mostram pontos em comum: parte substancial dos projetos é destinada a atender crianças e jovens, o que demonstra a preocupação dos empresários com o futuro do País. E a maioria das empresas dispensa o uso de incentivos fiscais. Justiça social
Nada menos que 70,6% das empresas ouvidas pelo Gife dispensam o uso de incentivos fiscais. Uma diferença gritante em relação às empresas americanas, onde praticamente todas as fundações debitam os investimentos feitos do Imposto de Renda. E o Ipea detectou um número ainda menor: no Sudeste, apenas 8% das companhias recorrem aos incentivos fiscais. No Nordeste e no Sul, o percentual não chega a 1%. Ao que tudo indica, a corrente vai se fortalecer. No Nordeste, 71% dos empresários declararam ter planos de aumentar os recursos destinados a ações sociais e apenas 7% descartaram a possibilidade de investir mais. No Sudeste, mais de um terço das empresas vão aumentar os investimentos na área - uma intenção que aumenta junto com o porte dos empreendimentos. No Sul, são 20%. Uma diferença interessante entre os dois estudos é a destinação dos recursos. O Ipea constatou que as atividades de assistência social ganham com 57% das preferências no Sudeste, 50% no Nordeste e 66% no Sul. Os investimentos em educação ocupam o quinto lugar no Sudeste e no Nordeste e o terceiro no Sul. Já na pesquisa do Gife, a educação é considerada prioritária por 85,4% das fundações. A assistência social fica em sexto lugar, com 37,5%. Apesar do crescimento,
Léo Voigt, vice-presidente do Gife, lembra que o investimento privado
ainda não é proporcional ao tamanho do capital no Brasil.
Pode ser. Mas o estudo mostra que algo está mudando. Quatro em
cada dez fundações ouvidas pela entidade nasceram na década
de 90. Já o presidente do Ipea, Roberto Borges Martins, lembrou
que "novos atores, junto com o Estado, estão realizando as
mudanças necessárias para a construção de
uma sociedade mais justa". Ainda bem. |
|
|||||||||||||||||