|
|||||||||||||||||||
|
Projeção 2002 Projetar os resultados das eleições municipais de 2000 para as eleições presidenciais de 2002 é uma chutometria política de interesse meramente acadêmico, para não dizer meramente jornalístico. Primeiro: as coligações partidárias, as candidaturas registradas e as conveniências eleitorais só estarão amarradas no segundo trimestre de 2002. Elas nada teriam a ver, necessariamente, com as coligações, candidaturas e conveniências que recepcionaram as eleições municipais de 2000. Segundo: as demandas populares no âmbito municipal pouco ou nada têm a ver com as cobranças coletivas no cenário nacional. Tanto mais num Brasil cujos políticos ligeirinhos descartam o diploma da fidelidade partidária e ainda morrem de medo do tal de voto distrital, catequese da cidadania. Terceiro: se é para projetar alguma coisa, que se remeta para as urnas de 2002 os votos efetivamente contados nas urnas de 2000. Contagem do estoque nacional de cada partido com lastro percentual de dois dígitos. Os nanicos, na maioria, são legendas de aluguel. Tem-se como catapulta para 2002 duas conclusões eleitorais de 2000: a "vitória esmagadora" do PT e o "crescimento impressionante" da oposição. Certo? Não é o que parece. Os partidos da coalizão governista (PSDB, PFL, PPB e PMDB) totalizaram 49% dos votos válidos em todo o país. Os partidos da oposição raivosa, liderados pelo PT, PDT, PPS e PSB, ficaram com 34%. O PT, isoladamente, contabilizou 14%. E os partidos em cima do muro (do PTB e PL via Prona e nanicos de aluguel) dividiram os restantes 17%. Balanço e análise do cientista político Sérgio Abranches. Para Sérgio Abranches, o "grande eleitor" de 2002 tende a ser, pela terceira vez consecutiva, o Plano Real. Com uma hipótese de monta: em 2002, o programa de estabilidade monetária já estará definitivamente consolidado e, pela primeira vez, com direito a um ciclo de crescimento econômico sustentado. Vale lembrar que na reeleição de 1998, o Plano Real estava atolado no fundo do poço do garrote fiscal, do impasse cambial e da sinistrose nacional. Pois nem assim a oposição conseguiu sequer levar o jogo para a prorrogação do segundo turno. A classe média resvalou para Lula, mas a classe pobre manteve-se fiel ao frango. A verdade é que faz mais sentido político comparar as urnas presidenciais de 2002 com as urnas presidenciais de1998 e não com as urnas municipais de 2000. Pois em 1998, a oposição não levou porque não bateu. Pior: ela bateu o pênalti decisivo, no último minuto, para fora. E sem goleiro. Parece que o "grande eleitor" voltará a falar grosso já em 2001. Haveria uma percepção coletiva de que o pior realmente já teria passado - sem mudança de governo. Haveria até mesmo uma elevação continuada do índice de popularidade do presidente. Saindo do contrapé em 2000, a economia ensaia crescer acima de 5%, com inflação abaixo de 5%. Em 2001, a neura do emprego entregará a bola quadrada à briga do salário. Com aumento do poder de compra na travessia de 2002. E o risco Argentina? Ela vai para a blindagem do FMI. Que não resolve o problema para dentro, mas evita o derramamento dele para fora. E o pouso suave do Big Brother? Ele ajudará o Brasil na queda dos juros e dos barris. Com sobras para a alta conseqüente do euro. Os europeus são hoje os nossos maiores importadores e os nossos maiores investidores.
Leia outros artigos de Joelmir Beting em seu site pessoal. |
|
|||||||||||||||||