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O Brasil de "décadas perdidas" registrou avanços sociais nos últimos anos que não podem ser desprezados. Caminha a passos lentos para um futuro melhor, em meio às intempéries da economia, embora ainda seja um país de desigualdades gritantes, como mostra o Censo Demográfico 2000, divulgado esta semana pelo IBGE. De 1991 a 2000, o rendimento médio das pessoas responsáveis pelos domicílios tupiniquins aumentou em média 41,9%. Em valores reais, passou de R$ 542 para R$ 769. O maior ganho foi registrado na região Sul (50,2%), seguida pelo Nordeste (48,8%) e Centro-Oeste (45,3). Apesar dos ganhos expressivos, a desigualdade pode ser percebida pela diferença entre os rendimentos médios dos responsáveis pelos domicílios nas diferentes regiões. O dos residentes na região Sudeste, de R$ 945, é mais do que o dobro dos que moram no Nordeste, onde não passa de R$ 448. Mesmo a passos de tartaruga, a desigualdade diminuiu. O grau de concentração dos rendimentos dos responsáveis pelos lares brasileiros, medido pelo índice Gini, passou de 0,637 em 1991 para 0,609 em 2000. A menor concentração, 0,573, foi detectada na região Sul. A maior, 0,622, no Centro-Oeste. Em casa Em algumas regiões, a situação é ainda mais precária. Na região Norte, apenas 35,6% das residências contam com rede de esgoto ou fossa séptica. No Nordeste, são 37,9% e no Centro-Oeste, 40,8%. Uma realidade bem distante da região Sudeste, onde 82,3% dos domicílios estão ligados à rede de esgotos ou têm fossa séptica - eram 74% em 1991. Dos 44,8 milhões de residências brasileiras, 7,5 milhões não têm banheiro e 3,7% não contam nem com um sanitário. Nas áreas rurais, 35,3% dos domicílios não dispõem de instalações sanitárias. O abastecimento de água, por sua vez, passou de uma cobertura de 70,7% dos domicílios em 1991, para 77,8% em 2000. As áreas urbanas das regiões Sul e Sudeste podem ser consideradas privilegiadas: mais de 90% das casas estão ligadas à rede de água e um grande avanço ocorreu nas áreas rurais. No Sudeste, a proporção de domicílios abastecidos pela rede praticamente dobrou, passando de 11,7% para 22,2%. No Sul, o crescimento proporcional foi ainda maior: pulou de 7,5% para 18,2%. O Nordeste, apesar de ter um dos mais baixos percentuais de domicílios ligados à rede de água (66,4%), teve um crescimento significativo. Avançou 7,2% na área urbana e dobrou o percentual na área rural. Na escola Em 1991, existiam 22,3 milhões de analfabetos com 10 anos ou mais. Em 2002, o número caiu para 17,6 milhões. Entre a população de 10 a 14 anos, a taxa caiu de 17,7% em 1991 para 7,2% em 2000. No grupo com 15 anos ou mais, passou de 20,1% para 13,6%. O Norte e o Nordeste têm as maiores proporções de pessoas não-alfabetizadas do País, 15,6% e 24,6%, respectivamente. Ou seja, mais de 10 milhões de pessoas residentes nas duas regiões, com 10 anos ou mais, são analfabetas. Entre as pessoas com 10 anos ou mais responsáveis pelos domicílios, a taxa de analfabetismo caiu de 23,8% em 1991 para 17,2% em 2000. Mesmo assim, são 8 milhões de almas. Metade delas vive no Nordeste. Outros 3,47% dos responsáveis pelas residências têm, no máximo, três anos de estudo, escolaridade extremamente baixa. O retrato feito pelo
IBGE mostra que o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer para melhorar
as condições sociais de seu povo e, principalmente, para
reduzir a desigualdade. Mas os avanços estão longe de poderem
ser ignorados. |
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